
Cafeteria 24 Horas na Coreia: Hollys Coffee de Madrugada
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16 itens
4h da manhã, chuva e uma cafeteria coreana aberta no meio da noite
Eram 4h da manhã e a chuva não parava. Eu estava rolando na cama sem conseguir dormir, aí virei pra minha esposa e falei: "vamos sair?" Ela levantou na hora. Os dois se vestiram de qualquer jeito e saímos — mas pra onde ir nessa hora? Foi quando vimos as luzes do Hollys Coffee acesas lá na frente. Era uma cafeteria 24 horas.

O reflexo da iluminação do café espalhado pelo asfalto molhado criava um clima incrível. Uma rua completamente deserta de madrugada, com aquela luz do café brilhando sozinha — deu uma sensação boa à toa, sabe? Muita gente não sabe, mas a Coreia tem cafeterias 24 horas. Não é comum, mas nas grandes cidades você encontra de vez em quando. O detalhe é que nem todo Hollys é 24 horas — essa unidade aqui é um caso especial. Se você estiver viajando pela Coreia e precisar matar o tempo de madrugada, esse tipo de lugar pode ser uma salvação.
Como fazer pedido no quiosque de uma cafeteria coreana


Assim que entrei, o quiosque já apareceu na minha frente. Hoje em dia na Coreia, seja em café ou restaurante, o pedido pelo quiosque é praticamente padrão. No Hollys não é diferente. Você escolhe o que quer na tela, paga com cartão ou pelo celular — dinheiro em espécie não é aceito. No quiosque só funciona cartão ou pagamento digital. Mas se você for idoso e tiver dificuldade com a máquina, ou só tiver dinheiro em espécie, dá pra pedir direto no balcão com o atendente. É só falar com alguém da equipe que eles te ajudam, sem stress.
Cardápio e preços do Hollys Coffee com suporte em vários idiomas

Essa é a tela do quiosque. Os itens aparecem com foto, o que ajuda bastante. O sistema tem suporte a vários idiomas, então estrangeiros que não falam coreano conseguem fazer o pedido tranquilamente — é só tocar no ícone da bandeirinha no topo da tela para mudar o idioma. Os preços: americano por R$ 19, café com leite por R$ 21 e Vanilla Delight por R$ 25. Para o padrão de franquia de café na Coreia, é um preço médio — parecido com o Starbucks ou levemente mais barato. Para quem não conhece o Hollys, vale explicar: é a primeira rede especializada em espresso do país, fundada em 1998 no bairro de Gangnam, em Seul. Abriu antes da primeira unidade do Starbucks na Coreia. Hoje tem quase 500 lojas espalhadas pelo país, mas como é menos do que Starbucks ou Twosome Place, tem gente que já andou bastante por cafés coreanos e nunca entrou num Hollys. Eu mesmo costumo ir mais nos outros, mas sempre que entro num Hollys tem uma vibe diferente que me faz voltar de vez em quando.
Consumo no local ou para viagem: a regra do copo descartável na Coreia

Depois de escolher tudo, essa tela aparece. Para viagem ou consumo no local. Não é uma pergunta só por formalidade não — na Coreia, o uso de copos descartáveis de plástico dentro do estabelecimento é proibido por lei. Se você escolher "consumo no local", a bebida vem em caneca ou copo reutilizável. Copo descartável só para quem escolheu "para viagem". O ponto importante: não dá pra selecionar "para viagem" e ficar sentado no café com o copo descartável na mão — o estabelecimento pode levar multa por isso. Vi bastante estrangeiro se confundindo com essa regra quando chegou na Coreia. Se for consumir no local, seleciona essa opção. Se precisar sair antes de terminar, avisa no balcão e eles transferem pro copo descartável pra você.
Sobremesas do Hollys Coffee: review honesto do que eu provei

Esse rocambole de leite puro foi a minha esposa quem pediu. A massa externa é um pão tipo castella bem macio, e o recheio é creme de leite fresco. É docinho, mas sem ser enjoativo — fica num ponto bem tranquilo. Combinou com o café. Só que R$ 24 pra esse tamanho é meio salgado. Comparando com o rocambole de conveniência, o sabor é bem melhor — mas com uma diferença de preço quase três vezes maior, dá pra hesitar. Pra matar um docinho de madrugada não foi ruim, mas pedir de novo? Acho que prefiro aproveitar o dinheiro num segundo drinque.
Dolce Latte do Hollys: o latte de leite condensado que você precisa experimentar


Minha esposa pediu o Dolce Latte. É um latte feito com espresso e leite condensado — um dos itens mais antigos e populares do cardápio do Hollys. O leite condensado misturado com o café cria uma doçura suave e cremosa, mas sem chegar a ser enjoativo. Ela pediu gelado e o leite condensado foi depositar lá no fundo, então precisa mexer bem antes de beber. Se não mexer, a parte de cima fica sem gosto e a do fundo fica doce demais. Minha esposa cometeu exatamente esse erro — tomou um gole e fez a cara de "o que é isso?". Eu mexi pra ela e aí ela disse que estava gostoso. kkk
Hollychino de Menta com Chocolate: a escolha da turma da menta


Eu pedi o Hollychino de Menta com Chocolate. O Hollychino é o nome que o Hollys usa pra bebida blendada — basicamente uma bebida batida com gelo, tipo um frappuccino. Vem com chantilly generoso por cima, e a bebida de cor verde-clarinho tem pedacinhos de chocolate espalhados. A presença da menta é mais discreta do que intensa, então mesmo quem tá experimentando menta com chocolate pela primeira vez provavelmente vai conseguir tomar tranquilo. Na Coreia, a galera é dividida entre quem ama e quem odeia menta com chocolate. Tem até nome pra isso: turma da menta e turma anti-menta — virou praticamente uma brincadeira cultural entre os coreanos. Eu sou da turma da menta, então quando vejo qualquer coisa de menta no cardápio, peço. Já sei que se mandar essa foto pro meu amigo anti-menta ele vai responder com uma carinha de nojo, mas é exatamente isso que tem graça.

Esse é o rocambole depois de dar uma mordida. Olha só a fatia. Tem mais creme do que massa — quando você espeta o garfo, o creme já começa a escorrer antes mesmo de levantar o pedaço. O sabor estava bom. Mas com R$ 24 e duas ou três mordidas você já terminou. De madrugada, um docinho pra acompanhar o café não foi ruim — mas se me perguntar se eu pediria de novo, honestamente não sei. Acho que preferia ter pedido mais uma bebida no lugar.
Vitrine de bolos do Hollys Coffee: preços dos doces em cafeterias coreanas


Dei uma olhada na vitrine de bolos do café. Caixa So Sweet de tiramisù por R$ 26, caixa So Sweet de cookies and cream também por R$ 26. O Party Pack saía por R$ 136. É uma caixa com quatro fatias de sobremesa, e quando vi aquilo me lembrei imediatamente do Twosome Place. O Twosome também tem muito esse estilo de fatias de bolo em caixinha, e parece que o Hollys está seguindo a mesma tendência. As redes de café na Coreia estão investindo cada vez mais em sobremesas, porque só com o café não é suficiente pra se manter no mercado. Não é coisa só do Hollys — é o movimento geral do setor. Naquele dia eu estava cheio e não consegui pedir o tiramisù, mas anotei mentalmente que quero experimentar numa próxima visita.
Bolo em colaboração com Miffy e os menus sazonais de cafeterias coreanas

Bolo de manga com chantilly da Miffy, R$ 26. O Hollys está em colaboração com o personagem Miffy agora, e os bolos vêm com decoração da Miffy em cima. Para quem não conhece, Miffy é um coelhinho criado na Holanda que faz bastante sucesso na Coreia. Dá pra ver pedaços de manga espalhados entre as camadas de creme — o visual ficou fofo demais.

Bolo de matcha com creme da Miffy, também R$ 26. A massa de matcha é de um verde bem escuro e a fatia fica linda. Tem pó de matcha polvilhado por cima e uma camada grossa de creme. O matcha tá em alta nos cafés da Coreia agora — Starbucks, Twosome, cafés independentes, praticamente não tem lugar que não tenha opção de matcha no cardápio.

Crepe de leite, R$ 26. São várias camadas finas de crepe empilhadas — a foto não ficou das melhores por causa do reflexo da iluminação da vitrine. Mas o que é curioso é que bolo crepe assim, em cafeteria de franquia, parece algo natural aqui na Coreia. Quando eu morava em Bangkok, pra comer bolo crepe eu tinha que procurar uma confeitaria especializada. Aqui está ali na vitrine da rede. A textura é bem diferente de bolo comum, e tem uma graça especial em soltar as camadas uma a uma enquanto come.

Rocambole de tiramisù de chocolate por R$ 26, e bolo Triple Chocolate por R$ 25. A foto ficou um pouco tremida por causa da iluminação piscando — desculpem. O rocambole de tiramisù de chocolate é basicamente a versão chocolate do rocambole de leite que comi, e o Triple Chocolate tem tudo de chocolate: massa, creme, cobertura. Pra quem é fã de chocolate intenso, parece ser a pedida certa. No geral, as fatias de bolo do Hollys ficam entre R$ 24 e R$ 26, que é a média pra sobremesas de franquia de café na Coreia. O Starbucks cobra um pouco mais — entre R$ 27 e R$ 28 —, então o Hollys é levemente mais barato. Mas sendo honesto, nessa faixa de preço, às vezes um café independente do bairro oferece algo mais artesanal e caprichado. É a limitação de ser franquia.
Interior do Hollys Coffee: dê uma volta pelo ambiente do café
A partir daqui é sobre o ambiente da loja. O interior do Hollys varia bastante de unidade pra unidade, mas essa aqui estava entre as mais bem feitas que já vi. Não espere que todas as lojas sejam assim.


Assim que você entra no térreo, já vê tudo: balcão à esquerda, quiosque no centro, e à direita a prateleira com os produtos do Hollys. Às 4h da manhã não tinha nenhum outro cliente — parecia que tínhamos alugado o café inteiro. O formato das franquias de café na Coreia costuma ser assim: o térreo é onde você faz o pedido e retira, e os assentos ficam num segundo andar separado. Nessa unidade, é só subir a escada vermelha pra chegar ao segundo piso.
O que tem de surpreendente no balcão de uma cafeteria coreana

Fui mais pra perto do balcão pra fotografar melhor. Na tela atrás, o anúncio do Vanilla Delight em destaque, máquinas de café e equipamentos por todos os lados. Num canto do balcão tinha salgadinhos à venda — percebi um tipo de chips de batata-doce com arroz glutinoso e alga marinha. Você pode estranhar ver isso num café, mas vender petisco simples para acompanhar a bebida, pertinho do balcão, é bastante comum nas cafeterias da Coreia. O salgadinho de batata é o burak, um snack tradicional coreano feito de fatias finas de batata ou alga frita com massa de arroz glutinoso — crocante, salgadinho, e combina surpreendentemente bem com café. Um amigo estrangeiro meu provou pela primeira vez e ficou espantado: "é diferente de qualquer chips que já comi." É mesmo.
O que tem de único na cultura de café coreana: tipos de assento

No segundo andar tem uma área de assentos individuais. São separados por divisórias, com iluminação na parede e tomadas em cada lugar. Perfeito pra trabalhar com notebook. Uma das coisas mais marcantes da cultura de café na Coreia é que vir sozinho ao café não tem nenhum estranhamento — pelo contrário. É completamente natural ver alguém trabalhando no notebook, estudando, lendo um livro, sozinho por horas. Por isso muitos cafés coreanos criam espaços exclusivos para uma pessoa só. Quando tenho que trabalhar em algum lugar, se tem assento individual com tomada, aquilo vira meu escritório. Às vezes me concentro mais no café do que em casa. Visitantes de fora acham isso bem diferente do que estão acostumados.
Experimenta sentar no chão: a cultura tradicional coreana dentro do café

No segundo andar também tinha um espaço de assento no chão — você tira o sapato antes de subir. As divisórias têm formato de arco, criando uma sensação de semi-privacidade. O espaço é ideal pra duas pessoas sentadas frente a frente, e sentar no chão com as pernas esticadas cansa menos do que parece quando você fica muito tempo. A Coreia tem a cultura do assento no chão — sentar no chão com as pernas cruzadas ou esticadas é algo bem enraizado na vida cotidiana coreana, e essa influência aparece dentro dos cafés também. Parece estranho da primeira vez, mas depois que você senta percebe que é bem confortável. De madrugada ainda tinha uma pessoa sentada ali sozinha comendo alguma coisa. Mesmo nessa hora. Isso me deu uma sensação estranha de conforto — saber que não estava sozinho no mundo às 4h da manhã.

A área central do segundo andar tem mesas pra grupos de até quatro pessoas. Mas como é um espaço aberto no meio, honestamente não tem muita privacidade. Se a mesa do lado estiver ocupada, dá pra ouvir a conversa. Não é o lugar ideal pra uma conversa mais reservada. Em compensação, o teto é alto, as janelas são grandes, então não dá aquela sensação de claustrofobia, e a iluminação é suave — o clima geral é agradável. A maioria dos cafés na Coreia oferece Wi-Fi gratuito. A senha você pede no balcão.

Ao longo da parede tem um sofá comprido, com mesinhas redondas espaçadas na frente — assentos duplos. As cadeiras de madeira com curvas davam um visual diferente das outras áreas. O tom claro deve criar uma vibe completamente diferente durante o dia. Cafés coreanos costumam variar o estilo de assento em cada área da mesma loja, então a experiência muda dependendo de onde você se sentar — mesmo dentro do mesmo Hollys.

Também tinha um espaço indicado como "sala de reunião". Não tem porta, então não é um espaço totalmente fechado, mas as divisórias de madeira em formato de grade criam uma separação visual do restante. Dentro tem um sofá em L e uma mesa central — cabe tranquilamente de quatro a cinco pessoas. Na Coreia é muito comum usar café pra grupos de estudo ou reuniões rápidas, e um espaço assim é bastante prático. Não existe em todos os Hollys — só em unidades maiores.
Trabalhar de madrugada no café: o cotidiano das cafeterias coreanas

Uma visão geral do segundo andar. Teto escuro, spots de luz aqui e acolá, clima tranquilo no geral. Frases em letra cursiva nas paredes, plantas verdes espalhadas pelos cantos. Pra ser franquia, estava bem cuidado. Às 4h da manhã ainda tinha uma pessoa com notebook aberto trabalhando. Como já disse, isso é extremamente comum na Coreia. O café coreano não é só pra tomar café — funciona como espaço de trabalho e estudo. Tinha mesa grande, sofá, assento individual — sozinho ou em grupo, não faltava opção de lugar.


Esse canto interno do segundo andar foi o meu lugar favorito nessa unidade. Assentos dispostos em degrau, plantas verdes em cada cantinho, luminárias redondas de ambiente acesas de forma suave — combinava demais com a madrugada. E tem tomada em cada assento também. Sendo honesto, eu sempre achei que o Hollys ficava atrás do Starbucks e do Twosome em decoração. Mas essa unidade foi diferente. Dito isso, a diferença entre unidades da mesma rede é enorme. Como toda franquia de café na Coreia — tem loja que é incrível e tem loja que deixa a desejar. Eu mesmo já fui num outro Hollys e pensei "aqui não é pra mim". Então não vale chegar com expectativa alta de decoração — o melhor é pensar que, se a sorte ajudar, você encontra uma unidade bem feita como essa.
Produtos do Hollys Coffee: preços das garrafinhas e canecas

No térreo tinha uma prateleira com os produtos da marca: garrafinhas térmicas, canecas, chaveiros e mais. Assim como o Starbucks é famoso pelos seus produtos, o Hollys também tem linha própria de acessórios. Muitas redes de café na Coreia apostam nos produtos como fonte de receita além das bebidas.




Cheguei mais perto pra fotografar cada um. A garrafa de cerâmica de 650ml saía por R$ 128, a caneca com alça por R$ 100, a garrafa slim por R$ 52, e a City Modern de 350ml por R$ 88. De R$ 52 a R$ 128 — dá pra escolher conforme o bolso. O design é simples e o logo é discreto, então mesmo quem não conhece o Hollys pode usar como garrafa normal, sem problema. Não tem aquele efeito de colecionável que o Starbucks provoca, mas por isso mesmo pode ser mais prático no dia a dia. Tem turista que leva garrafa de café como lembrança da Coreia — a slim é leve e não ocupa muito espaço na mala, então pra esse propósito não seria má ideia.
Quando eu morava em Bangkok, cheguei a comprar uma garrafa num Hollys que ficava perto do Centro Cultural Coreano por lá. Mas essa unidade fechou por volta de 2015, quando a marca recuou das operações internacionais. Aquela garrafa acabou virando uma lembrança meio peculiar. Fora da Coreia quase não existe mais Hollys, mas dentro do país a rede continua rodando bem — como pude ver nessa madrugada.
Hollys Coffee: avaliação honesta no final
Saí de casa sem dormir, sem expectativa nenhuma, e acabou sendo uma noite melhor do que esperava. Uma cafeteria coreana iluminada na chuva de madrugada. Só isso já muda o humor. O Hollys não chega a ser o café que representa a Coreia da mesma forma que o Starbucks, mas ter começado em 1998 como o primeiro café especializado em espresso do país e continuar vivo até hoje já é algo que diz muita coisa. Os preços estão dentro da média das franquias de café coreanas, e o ambiente melhorou bastante comparado com o que era antes. O ponto negativo é a variação grande de qualidade entre as unidades, e os bolos são honestos de admitir que custam mais do que entregam em quantidade. Mas se você tiver a sorte de encontrar uma cafeteria 24 horas dessas durante sua viagem pela Coreia, pode ser exatamente o que você precisa pra passar a madrugada. Minha esposa e eu ficamos ali sem falar quase nada, tomando café e olhando pro nada — e às vezes é exatamente disso que a gente precisa.
Este post foi publicado originalmente em https://hi-jsb.blog.