CategoriaCafé
IdiomaPortuguês (Portugal)
Publicado1 de maio de 2026 às 12:27

Café escondido em Rayong | Elephante antes de Ko Samet

#café em Rayong
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Ban Phe, em Rayong, Tailândia: o café de bairro onde parámos antes de ir para Ko Samet

Quero apresentar-te um café escondido em Ban Phe, Rayong, na Tailândia. Na altura em que eu vivia na Tailândia, fui com a minha mulher até ao cais Nuanthip para irmos para Ko Samet, mas ainda faltava bastante para o barco sair. Pensámos em beber qualquer coisa ali perto e acabámos por entrar, a pé, no Elephante Cafe. É um pequeno edifício de dois andares que se vê ao longo da estrada da praia de Ban Phe, em Rayong, e é daqueles cafés de bairro onde quase nenhum turista a caminho de Ko Samet entra. Mesmo agora, já de volta à Coreia, o que me vem à cabeça de vez em quando não é o café dali, mas sim o bolo.

Sendo muito honesto, enquanto vivi na Tailândia fui a imensos cafés. Desde os sítios mais trendy em Thonglor, Banguecoque, até cafés à beira-mar em Pattaya ou cafés dentro da própria ilha de Ko Samet. Mas Rayong tinha um ambiente diferente, precisamente por não ser um destino turístico desse tipo. Não era daqueles sítios cheios de estrangeiros por todo o lado. Sentado ali entre os moradores do bairro que tinham saído de chinelos ao fim de semana, a sensação era menos a de ser viajante e mais a de ser alguém que vivia mesmo ali.

Cafés na Tailândia: há uma coisa que tens mesmo de saber antes de pedir

Antes de continuar, há uma coisa que quero explicar. O sistema dos menus nos cafés tailandeses é um pouco diferente do de outros países. Se não souberes isso, o primeiro pedido pode apanhar-te totalmente desprevenido.

☕ O que deves saber antes de pedir num café tailandês

Thai Café Menu ≠ Global Standard

Expresso Espresso

🌍 No resto do mundo — extração sob pressão de 30 ml, sem açúcar, sabor amargo

🇹🇭 Na Tailândia — muitas vezes levam leite condensado por defeito, por isso pode sair um expresso doce

Americano Americano

🌍 No resto do mundo — expresso + água, sem açúcar

🇹🇭 Na Tailândia — costuma incluir xarope de açúcar por defeito. Se o quiseres sem doce, tens mesmo de dizer "mai wan"(ไม่หวาน)

Café latte Café Latte

🌍 No resto do mundo — expresso + leite vaporizado, sem açúcar

🇹🇭 Na Tailândia — é comum usarem leite condensado + leite evaporado em vez de leite normal. Fica muito doce e intenso

Café yen กาแฟเย็น

🌍 No resto do mundo — este menu não existe (próprio da Tailândia)

🇹🇭 Na Tailândia — café gelado à tailandesa. Café forte + leite condensado + açúcar + leite evaporado + gelo. Muito doce e cremoso

Oliang โอเลี้ยง

🌍 No resto do mundo — este menu não existe (próprio da Tailândia)

🇹🇭 Na Tailândia — café preto tradicional feito com grãos robusta torrados com milho, sésamo, soja e outros cereais. Leva açúcar por defeito e pode levar leite condensado

⚠️ Dicas úteis ao pedir

Se não quiseres doce → "mai↗ sai↙ nam↗ tan-"(ไม่ใส่น้ำตาล) = sem açúcar, por favor
Se quiseres tirar o leite condensado → "mai↗ sai↙ nom↗ khon↗"(ไม่ใส่นมข้น) = sem leite condensado, por favor
Ajuste de doçura → em muitos cafés podes escolher entre 0% / 25% / 50% / 75%

Saber isto antes de pedir muda completamente a experiência. Quando cheguei à Tailândia, também pedi um americano e saiu-me uma bebida doce. Achei mesmo que tinha pedido a coisa errada.

Americano com yuzu: sinceramente, um sabor difícil de acertar

O que eu pedi neste café foi um americano com yuzu. Estava assinalado como recomendação no menu, por isso resolvi experimentar. A bebida vinha com xarope amarelo de yuzu no fundo do copo e o americano por cima. Ainda trazia uma rodela de limão e salsa como topping, e fiquei com a sensação de que ali a salsa era quase assinatura da casa, porque parecia aparecer em tudo o que pedias. Mas, sendo sincero, este foi um sabor difícil de encaixar. O amargor do café e a acidez do yuzu entram ao mesmo tempo, e fica-se sem perceber onde se deve concentrar o paladar. É daqueles menus que ou se adora ou se detesta. Um americano custava 60 baht.

Americano com yuzu do Elephante Café, com xarope amarelo de yuzu no fundo e americano por cima

A soda de lichia que a minha mulher escolheu

A minha mulher ficou um bom bocado a olhar para a montra antes de escolher a soda de lichia. Era água com gás com xarope de lichia e, por cima, vinha a própria polpa da fruta inteira a flutuar. Aqui também vinha salsa espetada no topo. Era uma bebida leve e fresca, perfeita para o calor da Tailândia. O aroma da lichia sentia-se, mas sem ser exagerado nem enjoativo. Custava 75 baht.

Soda de lichia do Elephante Café com polpa de lichia e salsa por cima
Soda de lichia e bolo mousse de mirtilo lado a lado em cima da mesa

Nunca pensei encontrar o bolo da minha vida num café local da Tailândia

Mas a verdadeira história começa aqui. A minha mulher escolheu na montra um bolo roxo. E esse foi o grande acontecimento do dia.

Montra de sobremesas do Elephante Café com bolos mousse, bolos crepe e várias sobremesas

Na montra havia bolos mousse, bolos crepe e até um bolo de matcha verde-claro, todos alinhados. Para um café local tailandês, a seleção de sobremesas era surpreendentemente sólida. Na prateleira de cima viam-se também alguns tipos de pão. A minha mulher pegou no bolo roxo que estava mesmo do lado direito.

Bolo mousse de mirtilo e bebida de assinatura lado a lado, fotografados com teleobjetiva para parecerem maiores

Quando chegou à mesa, o bolo era mesmo pequeno. Ao lado do copo de bebida, era menor do que a palma da mão, mas nesta fotografia parece muito maior porque foi tirada com uma teleobjetiva. Na realidade, eram três ou quatro colheradas e já estava despachado. Se bem me lembro, custava cerca de 100 baht e, olhando só para a quantidade, não achei propriamente barato.

Mas no momento em que demos a primeira colherada, os dois pousámos logo a colher. O mousse de mirtilo tinha uma cobertura de molho espesso por cima, e o sabor espalhava-se pela boca de forma intensa sem ser demasiado doce. De todos os bolos que provei na Tailândia, este foi mesmo, sem exagero, um daqueles bolos que ficam na memória.

A teleobjetiva exagerou o tamanho, mas o sabor não estava nada exagerado

Close-up do bolo mousse de mirtilo com crumble de bolacha de chocolate e molho de mirtilo

Com a teleobjetiva, a fotografia faz o bolo parecer enorme, não é? Na realidade, não tinha mais do que a largura de três dedos. Em baixo havia crumble de bolacha de chocolate, e por cima um mousse lilás-claro com molho de mirtilo a escorrer. O mousse derretia-se na língua à velocidade certa, e o essencial era isto: o molho de mirtilo não abafava o sabor do mousse. Encontrar um bolo com esse equilíbrio é muito mais raro do que parece.

Prato do bolo mousse de mirtilo empratado com flocos de aveia e açúcar em pó

O empratamento, com flocos de aveia e açúcar em pó espalhados à volta, também me surpreendeu. Num café local da Tailândia, eu não estava à espera disto. Tinha mesmo aquele ar de sobremesa servida num bom restaurante. Há cafés famosos no centro de Banguecoque que nem se dão a este trabalho, por isso ver isto num café de bairro em Ban Phe apanhou-me de surpresa.

Basta um xarope para se perceber o nível real deste café

Close-up do xarope de mirtilo brilhante a escorrer sobre o bolo mousse

Tirei ainda uma fotografia mais próxima ao xarope de mirtilo. Aquele brilho a escorrer era o grande ponto forte. Se for mal feito, fica só com gosto a água com açúcar e mata completamente o bolo. Mas aqui puxava mais para o lado fresco e ligeiramente ácido do que para o doce exagerado. O mousse em si era suavemente doce, e o xarope acrescentava-lhe esse contraste mais vivo.

A estrutura do bolo vista em corte

Corte do bolo mousse de mirtilo com base de bolo de chocolate e camada superior de mousse

Cortámos uma parte e percebeu-se logo que não era só mousse do princípio ao fim. Na base havia uma camada de bolo de chocolate e, por cima, uma camada fina de mousse de mirtilo. Conseguir essa espessura fina e uniforme não é assim tão simples. Se fica demasiado grossa, enjoa; se fica demasiado fina, perde presença. Aqui estava exatamente na medida certa para, numa só colherada, se sentir ao mesmo tempo a densidade do bolo e a suavidade do mousse.

Close-up do corte do bolo mousse de mirtilo mostrando pedaços de mirtilo dentro do mousse

Se olhares melhor para o corte, vês pedaços de mirtilo mesmo dentro do mousse. Ou seja, não era apenas molho por cima. O interior também estava bem trabalhado.

Close-up do xarope de mirtilo com textura espessa a espalhar-se lentamente sobre o mousse

Mais uma fotografia do xarope, bem de perto. Tinha aquela consistência espessa que escorre devagar por cima do mousse. Não era líquido ao ponto de cair como água; ficava ali a assentar. E ainda se sentiam pequenos pedaços de mirtilo inteiros no molho, o que me deu a sensação de que não era um preparado industrial, mas algo feito ali com mais cuidado.

O interior do café, fotografado só com a lente zoom

Agora vou falar-te um pouco do interior do café. As fotografias foram todas tiradas lá dentro. Eu só tinha uma lente zoom comigo, por isso não consegui apanhar bem a vista exterior.

Interior do Elephante Café com armário antigo verde, caminho de mesa bordado e molduras antigas

O café não era enorme, mas tinha móveis antigos e objetos decorativos com aquele toque tailandês, muito bem distribuídos pelo espaço. O que gostei foi precisamente o facto de não parecer uma decoração forçada. Dava a sensação de que aquelas peças já pertenciam naturalmente ao lugar. Os cafés tailandeses têm muito esta sensibilidade: não é preciso gastar fortunas para criar ambiente; fazem muito com aquilo que já têm.

Objetos que fazem o espaço parecer um pequeno museu vintage

Decoração de cabeça de elefante em madeira na parede e miniaturas de motas em prateleiras de madeira
Vespa vintage azul-claro e mini mota dourada expostas num canto do café
Guitarra Fender Telecaster em vitrina de vidro e quadro egípcio em papiro na parede

Na parede estava pendurada uma grande cabeça de elefante em madeira, e as prateleiras de madeira estavam cheias de miniaturas de motas, bonecos quebra-nozes e outras peças decorativas. Num dos lados havia uma Vespa vintage azul-claro exposta e, logo atrás, uma mini mota dourada. Não sei se o dono coleciona tudo aquilo, mas o café inteiro parecia um pequeno museu vintage. Numa vitrina de vidro, encostada à parede, estava uma Fender Telecaster com a indicação “Fender Telecaster Japan 1987-1990”. Foi a primeira vez que vi uma guitarra assim exposta dentro de um café. Não havia propriamente uma linha estética coerente, mas, estranhamente, também não parecia uma confusão. Dava antes a sensação da sala de estar de alguém que juntou ali tudo aquilo de que gosta.

A propósito, em frente à loja só há espaço para estacionar cerca de 5 carros. Ao fim de semana, durante a tarde, pode ficar apertado arranjar lugar, por isso o melhor é ir mais cedo.

Dois andares e um canto acolhedor debaixo da escada em arco

Escada em arco de tijolo para o segundo piso do Elephante Café com recanto acolhedor por baixo

O café tem dois pisos. Debaixo da escada fizeram um arco em tijolo, criando um cantinho acolhedor, e em cima há depois outra zona de lugares separada.

Há bastante espaço para sentar, mas os lugares junto à janela no piso de cima são os mais procurados

Grande mesa de madeira maciça no segundo piso com janela ampla e vista para árvores verdes
Cadeiras baixas de madeira com almofadas de pele castanha e tecido tradicional tailandês no piso inferior
Espaço tipo galeria com sofá, quadro egípcio em papiro e vitrina de miniaturas na parede

No segundo piso havia uma grande mesa de madeira maciça, suficiente até para grupos, e como dali se via logo a vegetação pela janela, aquele lugar era claramente o mais disputado. No piso de baixo havia cadeiras baixas de madeira com almofadas de pele castanha, e o ângulo das costas era daqueles que convidam a ficar ali sem pressa. Gostei também do pormenor do tecido com padrão tradicional tailandês aplicado nas laterais das cadeiras, porque dava ainda mais personalidade ao espaço. Na parede junto ao sofá havia um quadro egípcio em papiro e uma vitrina cheia de miniaturas, e sob os candeeiros suspensos azul-claro aquilo parecia quase uma pequena galeria. A falta de uniformidade continua lá, mas a certa altura percebes que esse lado meio caótico é precisamente parte da identidade do café.

10 frases em tailandês que podes usar logo num café

Para terminar, deixo-te aqui algumas expressões úteis para usar num café na Tailândia. Até marquei os tons, por isso, se leres mais ou menos como está, é bastante provável que te entendam.

🗣️ 10 frases em tailandês para usar logo num café

Marcação tonal: ↗ sobe ↘ desce — pronunciar mais longo

ao↘ an↘ ni↗ ka↗/khap↗

เอาอันนี้ค่ะ/ครับ

Quero isto, por favor

mai↗ sai↙ nam↗ tan-

ไม่ใส่น้ำตาล

Sem açúcar, por favor

mai↗ sai↙ nom↗ khon↗

ไม่ใส่นมข้น

Sem leite condensado, por favor

wan↗ noi↗ noi↘

หวานน้อยหน่อย

Menos doce, por favor

sai↙ nam↗ khaeng↘ yoe↗ yoe↗

ใส่น้ำแข็งเยอะๆ

Com bastante gelo, por favor

ao↘ ron↗ ka↗/khap↗

เอาร้อนค่ะ/ครับ

Quero quente, por favor

hor↙ klab↙ baan ka↗/khap↗

ห่อกลับบ้านค่ะ/ครับ

Para levar, por favor

ra↗hat↙ wai↗fai↗ a↙rai↘ ka↗/khap↗

รหัสไวไฟอะไรคะ/ครับ

Qual é a palavra-passe do Wi-Fi?

kho↘ nam↗ plao- ka↗/khap↗

ขอน้ำเปล่าค่ะ/ครับ

Água, por favor

gep↙ tang↗ ka↗/khap↗

เก็บตังค์ค่ะ/ครับ

A conta, por favor

💡 Nota

Se fores mulher, podes acrescentar "ka↗"(ค่ะ) no fim da frase; se fores homem, "khap↗"(ครับ). Isso torna a expressão mais educada. Se quiseres dizer a percentagem de açúcar com números, podes dizer por exemplo "ha↙ sip↙ per↗ sen↗"(ห้าสิบเปอร์เซ็นต์) = 50%.

Informações práticas para visitar o Elephante Café

Resumindo, o Elephante Café é um daqueles sítios ideais para uma paragem rápida antes de seguir para Ko Samet. Fica a 2 ou 3 minutos de carro do cais Nuanthip e a cerca de 10 minutos a pé. Americano: 60 baht. Soda de lichia: 75 baht. Bolo mousse de mirtilo: se a memória não me falha, cerca de 100 baht. Com à volta de 200 baht por pessoa, dava perfeitamente para beber uma coisa e comer uma sobremesa. Em dinheiro coreano, eram cerca de 8.000 won. E a verdade é que, se pedires o mesmo em cafés de zonas como Thonglor ou Ari, em Banguecoque, facilmente gastas 300 a 400 baht por pessoa. Este café custava menos de metade e, ainda por cima, a qualidade da sobremesa era melhor. Até parece injusto.

Há também quem diga que, se fores já mais ao fim da tarde, às vezes os grãos acabam e já não consegues pedir café, por isso o melhor será ir de manhã ou no início da tarde. O horário é das 09:00 às 18:00 nos dias úteis e das 07:00 às 18:00 ao fim de semana, com Wi-Fi gratuito. Se estiveres em viagem por Rayong, ou se te sobrar tempo antes de entrares em Ko Samet, passa por lá. Mas, sendo totalmente sincero, mais importante do que ajustar o nível de açúcar é confirmar se aquele bolo mousse de mirtilo ainda continua no menu.

Publicado 1 de maio de 2026 às 12:27
Atualizado 1 de maio de 2026 às 12:40