
Café jardim escondido na Tailândia | Pa Dee in the Wild
Índice
12 itens
A Tailândia também é potência em cafés
Quando você viaja pela Tailândia, seus pés param em todo café que aparece no caminho. E não é só Bangkok ou Chiang Mai — cidades pequenas também escondem cafés jardim de cair o queixo. O Brasil é louco por cafeteria, mas a Tailândia não fica atrás de jeito nenhum. Na real, quando o assunto é espaço ao ar livre, o clima tropical dá uma vantagem absurda. Morei em Rayong por um tempo e todo fim de semana saía caçando cafés, e entre todos eles, o Pa Dee in the Wild (ปาฎี) era o que eu mais queria apresentar.

Vou começar mostrando essa bebida — frutas vermelhas empilhadas no copo e uma calda roxa escorrendo por cima. A parte do sabor fica pra depois. Primeiro, deixa eu te mostrar como é esse café jardim na Tailândia.
Desde a entrada você não sabe se é jardim ou café


Assim que você entra, não dá pra saber se é um café ou o quintal de alguém. Pedrinhas dos dois lados do caminho com arbustos densos, mesas brancas cobertas com toalha de renda, e luzinhas penduradas entre as árvores brilhando mesmo em plena luz do dia. Tinha bastante gente, mas não era barulhento. Não sei se as árvores absorvem o som ou se todo mundo baixa a voz naturalmente. Embaixo dos guarda-sóis tinha gente conversando, um casal andando lá pro fundo do jardim, pessoas tirando foto no banco — cada um no seu ritmo.

Mais pra dentro aparece um prédio branco. Janelas com vidro quadriculado e trepadeiras subindo, uma guirlanda pendurada na porta. Parece um cottage do interior da Inglaterra, mas quando você olha pra cima, árvores tropicais cobrem o telhado — ah é, estamos na Tailândia. O café já existia há mais de 12 anos, mas em 2023 se mudou pro local atual e ganhou o "in the Wild" no nome. Aquela sensação de natureza acumulada não é cenário montado — é real mesmo.
Vou mostrar as bebidas e o bolo primeiro e depois a gente volta pro lado de fora. Assim dá mais gosto de ler até o final.
O interior parece a casa de alguém

O espaço interno é pequeno. Paredes de madeira branca com flores secas penduradas por todo lado, uma mesa na janela, e o balcão lotado de objetos decorativos — dá a sensação de ter sido convidado pra casa de alguém que mora ali há anos. Eles também vendiam artesanato feito à mão, e enquanto você fica olhando, nem percebe que o pedido já chegou.

A maçaneta da janela era de porcelana. Com florzinhas pintadas. A cortina do lado também era estampada com flores, e pelo vidro dava pra ver o verde do jardim todo desfocado. Minha esposa viu isso e ficou parada ali um tempão.
Berry Love Drink — magia roxa


O copo chegou e não tinha líquido nenhum. Amoras, framboesas e groselhas empilhadas em cima do gelo, com uma folha de samambaia espetada no meio. Nesse estado já era sobremesa.


Minha esposa pedindo pra beber logo, mas calma. As gotinhas de água na superfície das amoras, os grãozinhos da framboesa que ficam translúcidos quando bate o sol — só mais uma foto.
Quando você despeja a calda, a cor muda

Vem uma coisa separada. Um vidrinho de vidro com calda roxa. Tem um lacinho rosa amarrado no gargalo — parecia um frasco de perfume.

Você inclina devagar e vai despejando no copo, e o roxo vai se infiltrando entre as frutas. O gelo que era transparente vai se tingindo aos poucos — não pode ter pressa.

Depois de despejar tudo. Em cima a cor natural das frutas, embaixo roxo escuro. A folha de samambaia no meio, mirtilos boiando, e quando você levanta o copo, o roxo de baixo pega a luz do sol e fica parecendo uma taça de vinho.

Levantei uma framboesa com a colher e a calda roxa foi escorrendo. Essa foi a foto que saiu melhor. O sabor é azedinho, a calda bem doce. Mas a acidez das frutas equilibra tudo, e no calor da Tailândia caiu super bem. Me lembrou um pouco aqueles drinks de açaí com frutas vermelhas que a gente toma no Brasil, mas com uma pegada totalmente diferente.

Vista de cima. As frutas boiando num mar roxo. O gelo já tinha derretido pela metade, mas ainda estava bonito.
Bolo caseiro em camadas

O bolo chegou. O prato dentro de um cesto de rattan, com o verde do jardim fazendo o fundo. O bolo caseiro é feito pela própria dona do café, e todo dia os sabores mudam — você escolhe direto da vitrine.


Esse bolo é bem diferente. Camadas verde, rosa e branca empilhadas, com creme azul clarinho por cima, dois mirtilos, uma uva e folha de hortelã. A camada verde é sabor pandan — uma erva super usada no Sudeste Asiático, com um perfume suave de grama. Entre as camadas tem uma camada fina de creme, e quando você morde, o aroma da erva vem primeiro e o doce vem atrás.

Cortei a frente com o garfo. Tão macio que não precisa fazer força.

O corte. Verde, branco, rosa — as camadas bem definidas. Disseram que a dona faz tudo à mão.

Levantei uma garfada. As três camadas com o creme vindo juntas, e o jardim se dissolvendo desfocado atrás. Doce, mas não pesado.
De volta pro lado de fora — o jardim é maior do que parece

No meio do jardim tem uma fonte preta. O som da água fica constante e faz você esquecer um pouco do calor. Atrás aparece o prédio branco estilo cottage com um terraço cheio de luzinhas, e quando o vento sopra, o sol pisca entre as árvores. Mesmo sem ar-condicionado, a sombra das árvores era suficiente pra ficar sentado de boa.

Nas mesas brancas sobre o cascalho, um casal sentado de frente um pro outro, e um funcionário passando com um cesto de rattan. No fundo, o prédio de dois andares coberto de trepadeiras, e à esquerda um prediozinho com uma guirlanda na porta. O jardim tem vários prédios espalhados, e conforme você anda vai descobrindo um por um. É bem maior do que parece.
Artesanato feito pela dona


Na prateleira atrás do balcão, um ramo de trigo seco, pinhas, uma miniatura de igrejinha de madeira, e numa caneca uma rosa amarela. Um bonequinho de vovô com chapéu de palha e uma bonequinha de vovó com lenço na cabeça sentados lado a lado. Dizem que tudo ali foi feito à mão ou escolhido pessoalmente pela dona.
Do lado de fora também tem coisa

Lá fora tem esculturas decorativas também, mas isso vou deixar pra você descobrir pessoalmente.
Até os pardais são clientes

Terminamos o bolo e saímos um minutinho. Quando voltamos, tinha uns pardais em cima do prato. Bicando as migalhas lado a lado, sem medo nenhum de gente. No Brasil provavelmente alguém ia reclamar da higiene, mas na Tailândia isso faz parte da paisagem. Passarinho sobe na mesa do café e ninguém espanta. Essa coexistência relaxada eu curti demais.
Se for visitar só um café em Rayong
O Pa Dee in the Wild não é um café perfeito. O clima e as fotos agradam qualquer um, mas a bebida e a sobremesa têm gente que acha que "o preço é pela ambientação, não pelo sabor", e o atendimento divide opiniões conforme as avaliações. Eu sinceramente também acho que o grande protagonista é o espaço em si. Mas se em Rayong você só puder ir a um café jardim, eu recomendo aqui. Não porque é perfeito — mas porque o tempo que passei ali foi gostoso.
Informações de visita — Pa Dee in the Wild (ปาฎี)
Este post foi escrito com base na minha experiência pessoal quando morava em Rayong. Horários de funcionamento, preços e outras informações foram atualizados com base nos canais oficiais e avaliações recentes de visitantes. Antes de ir, confirme nas redes sociais oficiais se estão abertos.
Pa Dee in the Wild (ปาฎี)Este post foi publicado originalmente em https://hi-jsb.blog.