Frutas da Época na Primavera — 12 Variedades num Mercado Coreano
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Comprar frutas da época num mercado tradicional coreano — Primavera de 2026
Esta foi a primeira vez que explorei a sério a secção de frutas de um mercado tradicional coreano. No início de abril de 2026, como residente em Daejeon — uma cidade no centro da Coreia do Sul —, fui com a minha mulher ao mercado grossista de produtos agrícolas e do mar logo de manhã cedo. Se tens curiosidade sobre os preços das frutas na Coreia ou sobre a cultura dos mercados tradicionais coreanos, este relato pode ser-te bastante útil. Que frutas da época existem na primavera, se o mercado é realmente mais barato do que o supermercado e quanto se poupa — fui confirmar tudo isto com os meus próprios pés.
Hoje é só a parte das frutas. Os legumes e o marisco ficam para uma próxima vez.
De manhã cedo, o mercado é um campo de batalha

Os mercados grossistas na Coreia funcionam melhor de manhã muito cedo — é aí que se conseguem os melhores preços. As frutas são claramente mais baratas do que no supermercado, mas o problema é o trânsito de camiões nessa hora. Os veículos de distribuição entram e saem sem parar. Arranjar estacionamento é complicado e, ao caminhar, é preciso estar sempre atento. Perdi a conta de quantas vezes disse à minha mulher para andar de mão dada e não se afastar.

Mal entrámos, passou logo um carrinho carregado de caixas vermelhas empilhadas. A esta hora, mais do que clientes comuns, são os próprios comerciantes que vêm buscar stock em grandes quantidades. Pessoas que gerem mercearias ou pequenas lojas na zona compram aqui por grosso e depois revendem nos seus estabelecimentos. Por isso, de manhã cedo o mercado fervilha sobretudo com gente a trabalhar, não a passear.
Maçãs coreanas — aspeto rústico, sabor garantido

Ao entrar na zona das frutas, a primeira coisa que se vê são as maçãs. Estavam organizadas por região de origem — Cheongsong, variedade Fuji, Yeongdong — e vendidas em sacos. Um saco por 12 000 won (cerca de 8 €), claramente mais barato do que no supermercado. As maçãs coreanas, sendo honesto, não são bonitas por fora. Não têm aquele brilho polido das maçãs importadas. As estrangeiras ficam tão lustrosas porque levam uma camada de cera alimentar, coisa que a maioria das maçãs coreanas dispensa.
Mas ao trincar uma com casca, o estalar crocante e o jorro de sumo que se sente são qualquer coisa de extraordinário. Na variedade Fuji, o teor de açúcar ronda os 14 a 15 graus Brix, e em variedades como a Gamhong chega aos 17 Brix. As principais regiões produtoras na Coreia ficam em altitude, com diferenças entre a temperatura diurna e noturna superiores a 13 °C, o que torna a polpa firme e a doçura intensa. Lembro-me de, há uns anos, comer no estrangeiro uma maçã toda brilhante que era farinhenta e sem graça — foi nesse dia que passei a dar mais valor às maçãs coreanas.
Chamoe — uma fruta que só existe na Coreia

Ao lado das maçãs estavam pilhas de chamoe, o melão coreano amarelo. O chamoe tem origem em África e chegou à Ásia Oriental passando pela Índia, mas hoje em dia cultiva-se praticamente só na Coreia. Antigamente também se produzia na China e no Japão, mas quase desapareceu nesses países — tanto que o nome em inglês é literalmente Korean Melon. Um saco custava 19 000 won (cerca de 13 €); ao lado havia sacos mais pequenos por 10 000 won (cerca de 7 €). Tem um sabor doce com uma textura crocante muito particular — depois de provar, é difícil esquecer.
O panorama da secção de frutas na primavera

Esta é a vista geral da secção de frutas. Melancias, chamoe, maçãs, peras, tangerinas, tomates — tudo alinhado de ambos os lados. Não é uma loja só; são várias bancas lado a lado, o que permite comparar preços facilmente. Com tantas frutas da estação à vista, o tempo passa num instante só a olhar. A minha mulher andava de um lado para o outro, sem saber para onde olhar primeiro.
Pera coreana — sumo de outro planeta comparado com a pera europeia

Estas são peras coreanas. Havia embalagens para oferta e também venda a granel — e são bem grandes. As peras que estamos habituados a ver na Europa têm formato de cabaça e textura mole, mas a pera coreana é redonda, grande e estaladiça. Basta descascar e comer um pedaço para sentir a boca a encher-se de sumo. Na Europa, a pera costuma ser tão insípida que se assa ou transforma em sidra, mas a pera coreana é melhor crua, simplesmente descascada. A quantidade de sumo é de outra dimensão.
Época dos morangos — fruta obrigatória se visitares a Coreia na primavera

Neste momento, a Coreia está em plena época de morangos. Na primavera, vás a que mercado fores, encontras sempre cestos cheios de morangos vermelhos empilhados. Um cesto por 8 000 won (cerca de 5,50 €) — é semelhante ou até mais barato do que o preço de uma embalagem no supermercado, mas a quantidade não tem comparação. Se vieres à Coreia na primavera, prova os morangos. Não te vais arrepender.

No mercado, o mesmo morango pode ter preços diferentes de banca para banca. Aqui, os morangos Seolhyang custavam 6 000 won (cerca de 4 €), enquanto na banca anterior morangos de tamanho semelhante estavam a 8 000 won. Acontece mesmo comprares numa banca por 10 000 won e na banca ao lado encontrares melhor qualidade por 8 000 won. Por isso, no mercado é essencial dar umas voltas e comparar antes de comprar. Gastar sola de sapato é regra básica.
Uva verde Apple e uva Black Sapphire

Estas são as chamadas uvas verdes Apple — o nome oficial é Autumn Crispy. Parecem-se com a Shine Muscat, mas são uma variedade completamente diferente. Têm uma textura estaladiça, como se trinasses uma maçã, e a polpa é bastante mais firme do que a da Shine Muscat. Uma embalagem custava 10 000 won (cerca de 7 €), e logo ao lado os mirtilos estavam a 7 000 won (cerca de 5 €).

Aquelas uvas escuras e alongadas no meio são as chamadas uvas Black Sapphire — o nome vem do formato, que lembra uma beringela. São sem grainha, comem-se com casca e tudo, e são crocantes com uma doçura bastante intensa. São uma uva importada cada vez mais popular na Coreia, por isso encontram-se frequentemente ao lado das uvas verdes nos mercados.
Tomate — na Coreia come-se como fruta

Havia também grande variedade de tomates. Os tomates vermelhos maduros custavam entre 15 000 e 20 000 won (10 a 14 €) por caixa, e os Daejeó — com um tom esverdeado — ficavam entre 10 000 e 14 000 won (7 a 10 €). Na Coreia, o tomate é tratado mais como fruta do que como legume. O tomate Daejeó, em particular, é uma variedade peculiar com um sabor levemente salgado e doce ao mesmo tempo, e na primavera a procura é enorme. Há quem o coma com açúcar, há quem simplesmente o lave e lhe dê logo uma dentada. Estão mesmo na época certa agora.

Também havia tomate preto. Uma embalagem por 10 000 won (cerca de 7 €) — a cor é visivelmente mais escura do que a do tomate comum. Ao lado estavam mirtilos, abacate, tangerinas, peras e maçãs, tudo na mesma banca. Poder comparar tanta variedade num só local é uma das grandes vantagens do mercado.
Frutas importadas — manga, laranja, ananás

Também havia manga. Na Coreia, a manga vendida é quase toda importada. O clima coreano não é adequado para frutas tropicais, por isso apenas na ilha de Jeju e nalgumas zonas do sul se produz uma quantidade residual em estufa. Como os frutos em mau estado são descartados durante a importação, a manga que chega à Coreia é geralmente de qualidade superior. O sabor é garantido, mas o preço acompanha. Uma caixa por 18 000 won (cerca de 12 €) — se pensarmos no preço das maçãs ou dos morangos, pesa um bocado na carteira.


As laranjas também estavam empilhadas numa secção. As que se vendem na Coreia são maioritariamente importadas dos Estados Unidos ou da Austrália, e no mercado vendem-se geralmente em sacos em vez de avulso. No supermercado, comprá-las à unidade fica bem mais caro, mas em saco no mercado compensa bastante. Estavam separadas por tamanho, e o vendedor disse-nos que as maiores têm mais sumo. A minha mulher quis descascar uma para provar, mas como não era para degustação, passámos à frente.

O ananás custava 5 000 won cada (cerca de 3,50 €). É fruta importada, mas no mercado fica mais barato do que no supermercado. As melancias em baixo são a fruta-rainha do verão na Coreia, e como ainda estamos na primavera o preço estava um pouco inflacionado.
Frutas especiais — morango branco e uvas chilenas

Estes são morangos brancos. Chamam-se morangos Mannyeonseol (literalmente "neve eterna") e a cor original é mesmo branca. Comparados com os morangos vermelhos comuns, têm cerca de 20% mais açúcar e quase nenhuma acidez — o sabor é puramente doce. Um quilo de qualidade premium custava 19 000 won (cerca de 13 €), os de segunda 10 000 won (cerca de 7 €) — claramente mais caros do que os morangos normais. Como a produção é limitada, se os vires vale a pena experimentar.

As uvas chilenas Crunch Farm também estavam a 10 000 won (cerca de 7 €) por embalagem. Quando é primavera na Coreia, no Chile — que fica no hemisfério sul — é outono, por isso nesta época chegam muitas uvas colhidas de fresco. Atrás via-se kiwi, tomate-cereja, morangos e uvas Black Sapphire, tudo reunido no mesmo canto — parecia uma exposição de frutas.
Kiwi, tomate-cereja e banana

O kiwi verde custava 5 000 won (cerca de 3,50 €) por embalagem e o tomate-cereja 10 000 won (cerca de 7 €) por 2 kg. À esquerda, os tomates esverdeados são os Daejeó de que falei antes. Nos mercados coreanos, as frutas e os tomates aparecem frequentemente lado a lado — sinal de como na cultura local o tomate é encarado como fruta.

As bananas custavam 4 000 won por cacho (cerca de 2,70 €). Comparando com os preços no Sudeste Asiático é obviamente mais caro, mas entre as frutas importadas na Coreia é das que oferece melhor relação qualidade-preço. Se pensarmos que uma caixa de manga custa 18 000 won e uma embalagem de mirtilos 15 000 won, a banana é mesmo uma pechincha.
Nacional e importado lado a lado — o cenário único dos mercados coreanos

Nesta banca, o chamoe de Seongju em caixa de oferta custava 36 000 won (cerca de 25 €), o abacate 5 unidades por 10 000 won (cerca de 7 €), os mirtilos premium 15 000 won (cerca de 10 €) e as uvas Crunch Farm 10 000 won (cerca de 7 €). O que torna os mercados tradicionais coreanos tão interessantes é exatamente isto: numa mesma banca convivem frutas de origens completamente diferentes. E as etiquetas manuscritas nos preços são um cenário que só se encontra nestes mercados.

Abacate, 5 unidades por 10 000 won (cerca de 7 €). O abacate na Coreia não é uma fruta tão consumida como se poderia pensar. Aparece muito em cafés e restaurantes de brunch, mas em casa ainda pouca gente o compra. A minha mulher gosta, mas eu não sou grande fã — por isso desta vez também passei. Em contrapartida, comprei 3 embalagens de morangos, e isso bastou-me.
3 embalagens de morangos por 10 000 won — no mercado, vale a pena gastar sola
Opinião após a compra
Valeu a pena ter andado de banca em banca a comparar preços. Acabei por encontrar 3 embalagens de morangos por 10 000 won (cerca de 7 €). Cada embalagem tinha aproximadamente 500 g — uma quantidade enorme. Quando chegámos a casa, comemos logo uma embalagem inteira nessa tarde e as outras duas foram para o congelador. Ainda bem que não comprei na primeira banca. No mercado, gastar sola de sapato é mesmo a chave.
O que poderia ser melhor — opinião honesta
O mercado é tão grande que as pernas acabam por acusar. Andámos apenas pela secção das frutas e já tinha passado mais de uma hora. Além disso, há bancas sem preços afixados, o que obriga a perguntar diretamente — e se não falares coreano, essa parte pode ser complicada.
Ainda assim, encontram-se variedades que não existem nos supermercados, e como o preço da mesma fruta varia de banca para banca, há um gozo genuíno em comparar e escolher. Se estiveres de viagem pela Coreia, uma visita a um mercado destes pode ser uma experiência surpreendentemente divertida.
Para a próxima, penso abordar a secção dos legumes e do marisco. Afinal, a visita ao mercado não acaba nas frutas.