
Padaria com vista pro lago — 60 tipos de pão e vidro panorâmico
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18 itens
Uma hora de carro saindo de Daejeon — café com vista pro lago Tapjeongho
Maio chegou, o tempo ficou uma beleza, e bateu aquela vontade de sair pra algum lugar diferente. Eu curto muito explorar cafés aqui na Coreia, e fiquei sabendo de uma padaria chamada Lake Hill (레이크힐제빵소) pertinho do lago Tapjeongho, na cidade de Nonsan, com uma vista panorâmica pro lago inteiro através de um paredão de vidro. Falei pra minha esposa que a gente podia fazer um passeio de carro e comer uns pães, e quando o assunto é café e pão, ela nunca diz não.
Em maio de 2026, pintou uma folga no meio da semana e saímos de carro de Daejeon — uma cidade grande no centro da Coreia do Sul. Minha esposa é estrangeira e adora conhecer cantinhos novos pelo país, mas Nonsan era novidade pra nós dois. De Daejeon até lá dá mais ou menos uma hora de carro, ou seja, um bate-volta tranquilo pra quem quer um passeio sem complicação. Eu já sabia que a padaria ficava grudada no hotel Lake Hill, perto da ponte suspensa do lago, mas o que não sabia era que tinham feito uma reforma completa. Quando chegamos e vimos o prédio todo modernizado e bonito, minha esposa perguntou: "Isso aqui é novo ou reformaram?".
Minha esposa travou na entrada
Assim que a gente entrou — pronto, foi isso. O térreo inteiro é de vidro do chão ao teto, e o lago Tapjeongho com a ponte suspensa aparecem bem na sua frente. Minha esposa parou na porta e não saiu do lugar. Falei "a gente veio comer pão, vai escolher", e ela respondeu "calma, deixa eu tirar foto primeiro" e já sacou o celular. A gente nem tinha feito o pedido ainda e ela já estava fotografando — quando isso acontece, é porque a vista realmente é de cair o queixo.


No começo eu achei que era só uma padaria comum, mas quando entrei de verdade, a vista do lago roubou a cena antes mesmo dos pães. Só que não dá pra ficar parado admirando pra sempre, então combinamos de curtir a paisagem depois e fomos direto pro setor de pães.
Escolher o pão já foi um desafio
Quando chegamos na área dos pães, a quantidade de opções era absurda. Na frente tinha pães embalados e sobremesas menores, e nas vitrines iluminadas do fundo estavam baguetes, bagels, croissants e bolos enfileirados, tudo com aquele dourado bonito. Fiquei sabendo que o padeiro daqui veio da famosa padaria Sungsimdang de Daejeon — uma das mais tradicionais da Coreia inteira — e mesmo pra uma padaria coreana, que já costuma ter bastante variedade, o tamanho dessa vitrine é fora do comum.

Pães pra presente e bolos tipo pound cake
Entrando mais pra dentro, tinha uma seção separada com pães embalados pra presente. Tinha um pound cake chamado "Sungsimsungui Pound" — algo como "pound cake feito com todo carinho" — e do lado um pound cake de avelã com café. O castella de laranja vinha com geleia de laranja por cima e a plaquinha dizia que era feito com ingredientes orgânicos. O brownie de chocolate tinha biscoito Oreo cravado em cima, e minha esposa ficou olhando pra ele um bom tempo.



Cada pão custava por volta de 7.000 won (uns R$ 30), o que comparado a uma padaria de bairro é meio salgado, mas estava escrito que usam farinha orgânica, então parecia um lugar que investe pesado nos ingredientes. Minha esposa ficou um tempão na dúvida no setor de presentes, mas no final decidiu: "não vamos comer em casa mesmo" e seguiu em frente.
Pães com nomes divertidos
Na parte dos pães mais rústicos, o primeiro que aparece é a baguete de sal, feita com manteiga francesa segundo a plaquinha. Logo do lado vinham pães com nomes bem chamativos: "Bastão de Tinta" e "Sapato Preto de Borracha" — nomes que só de ler já chamam atenção. Os pães feitos com tinta de lula são pretos, dá pra ver de longe.





O "Bastão de Tinta" é um brioche feito com tinta de lula e coberto com castanhas — visual rústico e marcante. O "Sapato Preto de Borracha" é um pão preto de tinta de lula recheado com creme de leite condensado, e o nome faz referência aos sapatos de borracha preta que os coreanos usavam antigamente — achei genial. O donut de arroz glutinoso era bem mastigável, coberto com açúcar e recheado com feijão vermelho adoçado. O pão mocha tinha aroma de café e custava 4.500 won (uns R$ 19), um dos mais em conta por ali.
Bagel de cebola e o pão "Só parece lula"
Na prateleira seguinte estavam o bagel de cebola, croque-monsieur e um pão com nome inesquecível: "Só Parece Lula" — ou seja, tem cara de lula mas não é lula de verdade. O bagel de cebola era orgânico com toque adocicado de cebola, e o croque-monsieur vinha com queijo e milho por cima, no estilo toast francês.




O que mais me chamou atenção foi o "Só Parece Lula" — um pão de tinta de lula com salsicha e queijo, com aquele jeitão brincalhão já no nome. Esse tipo de pão, além do sabor, tem aquele poder de te fazer sacar o celular e fotografar. As padarias coreanas hoje em dia capricham muito nos nomes criativos, e essa daqui não fica atrás.
Do pão de artemísia ao manjericão com tomate
O "Ssuktteok Ssuktteok" é feito com artemísia — uma erva aromática típica da primavera na Coreia — misturada com massa de bolinho de arroz, coberto com lâminas de amêndoa e bem pesadão. Do lado tinha um pão redondo com queijo derretido, e o pão de batata com salsicha vinha numa bandejinha de papel rosa que chamava bastante atenção. Mas o mais bonito mesmo era o de manjericão com tomate — dava pra ver o cream cheese aparecendo pelas frestas, irresistível.






O brioche de batata-doce vinha coberto com uma camada generosa de amêndoas fatiadas. Perguntei pra minha esposa o que achava e ela respondeu: "tudo parece gostoso, mas tudo parece gostoso da mesma forma, então não sei o que escolher". Três anos morando na Coreia e visitando cafés sem parar, é normal chegar nesse nível de fadiga de decisão. Demos uma volta completa na vitrine e já parecia que a bandeja não ia dar conta.
Dos pães coreanos tradicionais às criações exclusivas
Indo mais pra dentro, vem a seção de pães no estilo coreano. Ang-butter — que é um pão recheado com pasta doce de feijão vermelho e manteiga —, churros, croissant de chocolate, rosquinha trançada de arroz glutinoso e o clássico pão de feijão vermelho. São todos itens comuns nas padarias coreanas, mas aqui cada peça era grande e a arrumação tão caprichada que era difícil passar reto.





O ang-butter vinha numa embalagem de papel rosa — pasta doce de feijão vermelho cozida lentamente com manteiga dentro do pão — e funcionaria bem como presente. Os churros também estavam lá, e o croissant de chocolate tinha uma camada grossa de chocolate com gotas cravadas em cima. A rosquinha trançada — chamada "kkwabaegi" em coreano — é uma massa trançada e frita de arroz glutinoso coberta com açúcar, mais pesada que as versões que vendiam nas feirinhas de rua antigamente. O pão de feijão vermelho deixava ver a massa amarela pelo meio e usava feijão cultivado na Coreia.
Depois vinham a baguete de alho, a torta jacaré, o manjuzinho de castanha, o egg tart e uma sequência de bolos de chocolate — a essa altura, eram tantas opções que ficou impossível saber por onde começar.





A baguete de alho vinha fatiada numa embalagem transparente, e o cheiro do molho de alho parecia chegar até antes da vitrine. A torta jacaré era uma massa folhada empilhada com nozes cravadas, toda irregular na superfície — fazia jus ao nome. O manjuzinho de castanha é um biscoitinho assado recheado com pasta de castanha adoçada, e o egg tart estava marcado como assinatura da Lake Hill, num tamanho visivelmente maior do que o de padarias comuns.
Pão-carvão e pão-maçã — visual de outro mundo
Tinha uma tarte de nozes lotada de nozes até a borda, e do lado dois tipos de "pão yeontan" — um pão coreano que imita perfeitamente o formato das briquetes de carvão cilíndricas pretas que eram usadas antigamente pra aquecer as casas na Coreia. A versão preta, "carvão escuro", tinha 4 tipos de queijo, e a versão clara, "carvão branco", era recheada com creme fresco e pasta de feijão vermelho.



Até os furos são igualzinhos aos de uma briquete de carvão de verdade — quem vê pela primeira vez capaz de não perceber que é pão. Pra estrangeiro, se você explica a referência, fica muito mais divertido. Minha esposa viu e na hora perguntou: "isso é pão mesmo?".
Do lado vinham o pão de nozes com macadâmia, o croffle — que é um croissant prensado na máquina de waffle — e o pão-maçã. O pão de nozes era recheado com nozes e macadâmia em quantidade generosa, e o croffle tinha as camadas bem definidas com um brilho bonito. Mas o que mais chamou atenção mesmo foi o pão-maçã.



O pão-maçã vem embalado numa redinha vermelha de frutas igualzinha a de maçã de verdade, com direito a uma folhinha espetada no topo. Recheado com cream cheese e geleia de maçã, estava marcado como assinatura da Lake Hill. Minha esposa parou na frente dele e ficou olhando um tempão. Mais parecia uma peça decorativa do que um pão — dava dó de comer.
Vitrine de bolos — linha completa que não acaba
Passando a vitrine dos pães, veio a seção de bolos. De rocambole a mousse em formato de fruta, cheesecake, tiramisù e bolo floresta negra — o showcase estava lotado. Não eram fatias soltas, cada bolo tinha presença própria na vitrine, e dava gosto só de ficar olhando.




Os bolos mousse eram moldados no formato exato das frutas — o mousse de maçã verde e o mousse de morango vermelho, eu jurei que eram frutas de verdade expostas ali. O mousse de pêssego tinha um degradê vermelho e amarelo que parecia um pêssego real, e o mousse de chocolate era em formato de coração com um brilho que mudava completamente o clima da vitrine.


O cheesecake estilo Nova York dizia na plaquinha que era feito sem farinha, no estilo tradicional. O tiramisù clássico estava bem arrumadinho em recipientes dourados. O bolo floresta negra tinha camadas de creme fresco entre discos de chocolate e morangos inteiros por cima — foi o que mais me chamou atenção na seção de bolos inteira.
Dia de semana e nenhum espaço vazio na vitrine
Depois de percorrer toda a vitrine dos pães até o showcase de bolos, reparei numa frase escrita na parede de tijolos: "Padeiro que faz comida honesta com ingredientes puros". E de fato, a vitrine estava lotada sem um único espaço vazio.


Era um dia de semana comum e mesmo assim não reduziram a produção nem deixaram espaços vazios — tudo cheio. Já fui em padarias que, em dia de semana, mais da metade da vitrine está vazia e você se sente frustrado. Aqui isso não acontece. Bom, pães a gente já viu de sobra. Vamos agora pra parte da vista.
O lago Tapjeongho do outro lado do vidro panorâmico
Aqui os pães e as bebidas são cobrados separadamente, e pra usar as mesas do café é preciso pedir pelo menos uma bebida por pessoa. Nós ficamos bastante tempo só olhando os pães, mas nesse dia pedimos bebidas e sentamos. Do outro lado do vidro panorâmico, o lago Tapjeongho aparece inteiro — a ponte suspensa sobre a água e, no fundo, montanhas verdes em camadas.


Quase não ventava, então a superfície da água estava lisa feito espelho. Os pinheiros e bordos plantados na frente criavam uma moldura natural, como se fosse um quadro. Qualquer lugar que você sente dentro do café tem essa vista de frente, porque o vidro vai do chão até o teto. Sinceramente, eu não esperava encontrar uma vista dessas vindo a uma padaria. Já visitei muitos cafés na Coreia, mas vista de lago nesse nível eu conto nos dedos.
Terraço com brisa de primavera
Saindo pro lado de fora, tinha mesas no terraço, e o lago Tapjeongho aparece ali na sua frente sem nenhuma barreira. Mesas e cadeiras de ferro preto bem organizadas, e entre os pinheiros e bordos você vê o lago e a ponte sem nada no caminho.


Primavera e outono são as épocas perfeitas pra sentar nesse terraço. O clima fica ameno e dá pra levar seu pão e café, sentar ali e curtir sem pressa. No verão faz calor demais e no inverno frio demais pra ficar muito tempo lá fora, então se quiser aproveitar o terraço de verdade, primavera e outono são as melhores pedidas.
Até o 2º andar — qualquer lugar tem vista pro lago
Subindo pro segundo andar, o espaço se abre com bastante lugar pra sentar. Mesas redondas, quadradas e lugares na janela — tem de tudo, e como uma parede inteira é de vidro, o lago Tapjeongho aparece de qualquer ângulo. O piso de madeira natural com cadeiras pretas estava tudo arrumadinho, e o espaço entre as mesas era bem generoso, então não tem aquela sensação de estar em cima do vizinho.



Quando chegamos tinha pouquíssima gente, mas em mais ou menos uma hora entraram umas cinco ou seis turmas. Era dia de semana e aquele espaço enorme estava quase vazio, mas no final de semana deve lotar com certeza.
No térreo, as mesas ficam coladas no vidro, então quando você senta o lago parece ainda mais perto. A porta pro terraço estava aberta, e a mistura de sofás com cadeiras deixava confortável pra quem quer ficar um bom tempo.



Pelo vidro você vê o lago e as árvores bem de perto, e como o térreo fica mais baixo que o segundo andar em relação à água, a sensação é de que o lago é maior. Num dia de semana tranquilo, a janela do térreo ou perto do terraço são os melhores lugares com certeza.
Espaço no chão — ideal pra quem tem criança
No fundo do segundo andar tinha um espaço de piso rebaixado no estilo coreano — uma plataforma onde você tira os sapatos pra subir, com uma mesa redonda baixinha. Ótimo pra famílias com crianças ou pra quem quer sentar mais à vontade.



Na parede tinha tomadas e interruptores, então dá pra carregar o celular tranquilamente. Mesmo num café com muitas mesas, ter um cantinho quieto assim faz muita diferença pra quem vem com família.
Affogato e Einspänner com vista pro lago Tapjeongho
Pegamos nossas bebidas e sentamos no lugar com vista pro lago. Com o Tapjeongho de fundo, qualquer foto sai bonita. O affogato é um sorvete soft com espresso por cima, e o Einspänner — uma bebida tradicional vienense muito popular nos cafés coreanos — é um café forte com uma camada grossa de creme por cima.




O affogato ainda não tinha recebido o espresso, então o sorvete estava com aquele formato pontudo intacto. O Einspänner tinha a camada de café e creme bem dividida, dava gosto de ver. Minha esposa tomou um gole e disse que gostou porque o creme era bem grosso — e realmente, a quantidade de creme era generosa. Ficar ali curtindo devagar olhando pro lago dava uma sensação tão relaxante que você nem sabia se estava numa padaria ou num café ou num spa.
Só de mesas com vista — umas vinte
Em volta de onde sentamos tinha muitas mesas com essa vista. Desde banquetas no balcão curvo até mesas de dois em frente ao vidro e sofás — tudo com o lago Tapjeongho aparecendo de frente.



Normalmente, os cafés que são conhecidos pela vista têm umas três ou quatro mesas com boa posição e todo mundo briga por elas. Aqui, as mesas com vista desimpedida pro lago pareciam ser umas vinte, pelo menos. Em dia de semana você escolhe onde quer sentar com calma total, sem estresse nenhum por causa de lugar.
Reflexões no caminho de volta
Entre todos os cafés que já visitei na Coreia, a padaria Lake Hill foi sinceramente um dos que mais me agradou. Foi a primeira vez que encontrei uma padaria com essa proximidade do lago Tapjeongho pelo vidro panorâmico, e o fato de terem mantido a vitrine cheia num dia de semana, sem faltar um único tipo, me impressionou. Do mousse em forma de fruta ao pão-carvão e ao pão-maçã, os itens assinatura são marcantes, e o showcase de bolos é um programa à parte.
Dessa vez a gente tinha almoçado fazia pouco, então não compramos pão e ficamos só nas bebidas. O affogato custou 9.000 won (uns R$ 38) e o Einspänner 8.500 won (uns R$ 36), totalizando 17.500 won (uns R$ 74) pelas duas bebidas. Mesmo assim, tomar com aquela vista do lago já valeu cada centavo. Eu queria ter atravessado a ponte suspensa a pé, mas minha esposa estava meio gripada, então nos contentamos em olhar ela de dentro do café. No caminho de volta, ela disse que queria voltar num dia em que estivesse se sentindo melhor pra comprar pão e atravessar a ponte. Eu pensei exatamente a mesma coisa.
Se tiver que apontar pontos negativos, os preços das bebidas são salgados. O americano custa quase 7.000 won (uns R$ 30), as bebidas especiais ficam na faixa dos 9.000 won, e se comprar pão junto, passa fácil de 15.000 won (uns R$ 63) por pessoa. Também não é fácil chegar de transporte público. Pegar táxi do centro da cidade pode sair caro, e embora passe ônibus, a frequência não é das melhores — recomendo pra quem tem carro próprio ou alugado.
Informações para visita — Padaria Lake Hill
Endereço: 872 Tapjeong-ro, Gayagok-myeon, Nonsan-si, Chungnam — térreo do Hotel Lake Hill
Horário: todos os dias, 10:00 às 21:00 (último pedido 20:30)
Estacionamento: estacionamento compartilhado do Hotel Lake Hill (gratuito e espaçoso)
Observação: consumação mínima de 1 bebida por pessoa / pães e bebidas cobrados separadamente
O estacionamento é compartilhado com o hotel e bem grande — em dia de semana não tem com o que se preocupar. Nos finais de semana ou feriados prolongados pode apertar, então melhor chegar cedo. Se você está procurando um café com vista pra lago e um bom passeio de carro nos arredores de Daejeon, na Coreia do Sul, vale muito a pena dar uma passada na padaria Lake Hill, pertinho do lago Tapjeongho em Nonsan.