
Shabu-shabu Coreano | Como Comer e Aproveitar
Índice
17 itens
Shabu-shabu coreano — o prato perfeito pra reunião de família
Entre os pratos da culinária coreana que combinam carne e frutos do mar na mesma refeição, o shabu-shabu é um dos mais completos. Em maio de 2026, no Dia das Crianças coreano, surgiu a oportunidade de reunir a família do meu pai pra almoçar juntos — fazia tempo que eu não via minha avó. Levamos ela ao Shabu Mania, um restaurante de shabu-shabu com buffet livre na região de Seocheongju, em Cheongju, uma cidade a cerca de 130 km ao sul de Seul.
Já fazia um bom tempo que eu não visitava minha avó, e surgiu a ideia de todo mundo almoçar junto. Minha esposa não pôde ir porque tinha compromisso, então fui com meus pais e o restante da família paterna. Escolher o lugar pra comer foi um desafio à parte. Minha avó já passou dos noventa anos, então o prato precisava ser algo que ela conseguisse comer — leve o suficiente, mas que ainda desse a sensação de uma refeição de verdade. Já tínhamos ido a outros restaurantes de shabu-shabu antes, como o Shabu All Day e o Shabuhyang, mas dessa vez meu pai sugeriu o Shabu Mania e fechamos nele. Fomos sem reserva na hora do almoço e, como chegamos cedo, ainda tinha mesa sobrando. Mesmo sendo feriado das crianças, quase não tinha criança no salão — era mais gente adulta. A refeição durou cerca de 1 hora e meia, e estacionamos no subsolo do prédio.
Fachada e interior do Shabu Mania


Na parede de tijolos do prédio, a placa do Shabu Mania vem com uma frase que eles mesmos escreveram: "Nosso caldo e molho são realmente deliciosos." Normalmente esse tipo de autoelogio na fachada dá até vergonha alheia, mas depois de comer lá, tenho que admitir que não era mentira. Lá dentro, o salão tem mesas espaçosas perto da janela — de um lado, bancos estofados com encosto; do outro, cadeiras de madeira. No centro de cada mesa tem um cooktop de indução embutido onde o caldo é fervido direto ali, e como é indução em vez de gás, quase não sai fumaça nem cheiro grudento na roupa. Como éramos bastante gente, pegamos duas mesas lado a lado.
O que é Shabu-shabu (しゃぶしゃぶ)?
É um tipo de hot pot coreano em que carnes finas, frutos do mar e legumes são rapidamente mergulhados num caldo fervente e depois comidos com molho. O nome vem do japonês e imita o som do ingrediente balançando no caldo ("chapu-chapu"). Na Coreia, o formato mais comum inclui um buffet livre de acompanhamentos onde você pode repetir macarrão, legumes, cogumelos e outros itens à vontade — o chamado refil ilimitado (muhanripil).
Carne e frutos do mar
Fatias finas de carne bovina, camarão, abalone e outros são mergulhados rapidamente no caldo e retirados na hora
Buffet livre de acompanhamentos
Macarrão, legumes, cogumelos, bolinhos de peixe e mais — tudo à vontade
Arroz frito de finalização
O caldo restante absorveu todo o sabor da carne e dos frutos do mar — adiciona-se arroz e ovo pra fazer um arroz frito de encerramento
Preço e ingredientes principais do shabu-shabu


O preço do shabu-shabu varia conforme o menu escolhido. Bom, com a avó na mesa, ninguém vai pedir o prato mais barato do cardápio, né? Então escolhemos o shabu-shabu de frutos do mar com carne bovina, que custava ₩27.000 por pessoa (cerca de R$105) — praticamente o mais caro do restaurante. Veio tudo numa tigela grande: camarão, abalone, tofu frito (yubu), bolinho de camarão e cogumelo branco orelha-de-pau, tudo empilhado generosamente numa única travessa.
Conjunto de frutos do mar, carne bovina e legumes para rolinhos



Junto com a travessa de frutos do mar, veio também um kit de legumes pra fazer rolinhos estilo vietnamita. Numa bandeja de madeira, tudo separadinho por cor: repolho roxo, cenoura ralada, repolho verde, alga, brotos de folhinha e até abacaxi. Ao lado, um suporte verde com folhas de papel de arroz — aquela massa fininha feita de arroz que, ao ser levemente umedecida na água, fica maleável o suficiente pra você colocar os ingredientes e enrolar. Minha avó viu aquilo pela primeira vez e perguntou "o que é isso?", aí minha mãe montou um rolinho pra ela ali do lado.

A carne bovina também veio. Fatias finas de carne enroladas em espiral sobre um prato de madeira, com um marmoreio bem distribuído. O modo de comer o shabu-shabu é simples: você pega uma fatia de carne com o hashi, mergulha no caldo fervente e, assim que a cor mudar, retira na hora e passa no molho. Se deixar tempo demais, a carne fica seca e borrachuda — o timing é tudo.
Sinceramente, até aqui dava pra pensar: "paguei R$105 por pessoa e é só isso?". Uma travessa de frutos do mar, um prato de carne e uma bandeja de legumes. Mas o Shabu Mania não para por aí.
Buffet livre — o coração do shabu-shabu ilimitado




O buffet do Shabu Mania é totalmente livre — você repete quantas vezes quiser. Macarrão e legumes podem ser pegos à vontade, sem limite. Espetinho de bolinho de peixe, macarrão de arroz tipo pho, macarrão kalguksu (tipo talharim caseiro), udon, miojo, guioza, bolinho de arroz para tteokbokki, além de uma variedade enorme de legumes. Carne e frutos do mar não ficam no buffet — esses vêm só no pedido — mas macarrão e legumes são refil ilimitado. Meu pai trouxe um punhado enorme de espetinhos de bolinho de peixe, e minha mãe reclamou: "pra que trazer tudo isso?". Mas ela mesma voltou com duas porções de miojo. Com esse buffet, aquela sensação de "será que os R$105 valeram a pena?" começou a sumir.
Detalhes dos legumes e cogumelos do buffet





Num dos compartimentos, o tofu frito (yubu) estava empilhado até o topo. Do lado, cogumelo enoki, shimeji, cebolinha, acelga e outros legumes típicos pro shabu-shabu preenchiam cada espaço. Moyashi (broto de feijão), bok choy, mini repolho chinês, couve kale — só de folhosas eu contei umas seis variedades. Minha avó ficou nos cogumelos e no repolho. Meu pai trouxe um monte de tofu frito, e com razão: o yubu absorve o caldo do shabu-shabu como uma esponja — quando você morde, o caldo explode na boca inteira. Porém, nem tudo estava impecável. O moyashi estava meio murcho, meio encharcado. Não sei se foi por causa do feriado lotado ou se é sempre assim.
Arroz com curry, sobremesas e acompanhamentos extras






Além dos ingredientes pro shabu-shabu, o buffet tinha coisinhas extras pra beliscar. Tinha arroz frito com curry num canto, uns três ou quatro tipos de molho pra salada, mini bolos, gelatinas e outras sobremesas em quantidade reduzida. Minha mãe pegou uma colher do arroz com curry e soltou um "ué, isso aqui é bom", aí fui lá pegar também — e realmente não era ruim. Só que esses itens extras tinham pouca quantidade comparado à variedade: se você demorar pra ir, pode encontrar só tigela vazia.
Fervendo o caldo do shabu-shabu — opção de caldo claro

Quando você senta na mesa, já tem uma panela larga sobre o cooktop de indução, onde o caldo do shabu-shabu é despejado e posto pra ferver. Nos restaurantes coreanos de shabu-shabu, normalmente você escolhe entre caldo claro e caldo apimentado. Como minha avó estava ali, optamos pelo caldo claro, mais suave. Quando o caldo começou a borbulhar, minha avó disse: "que cheiro bom."
Ordem de preparo do shabu-shabu
- 1 Ferver o caldo — escolha entre caldo claro ou apimentado e ferva na panela sobre o cooktop de indução
- 2 Legumes primeiro — coloque mini repolho chinês, bok choy, cogumelos e tofu frito — ingredientes que demoram mais pra cozinhar
- 3 Carne e frutos do mar — mergulhe a carne fatia por fatia e retire assim que mudar de cor. Adicione camarão e abalone também
- 4 Molhar no molho — escolha entre molho agridoce de pimenta, molho de pasta de soja ou shoyu com alho. Enrolar no papel de arroz também fica ótimo
- 5 Arroz frito de finalização — adicione arroz e ovo no caldo restante e refogue. Se deixar mais caldo vira uma papa cremosa; se escorrer bem, vira arroz frito
Adicionando os legumes — repolho, bok choy e cogumelos primeiro

Começamos pelos legumes. Colocamos mini repolho chinês, bok choy, cogumelos e tofu frito, e a panela encheu rapidinho. Na mesa, o prato de moyashi do buffet ainda estava lotado, a bandeja de legumes pra rolinho mal tinha sido tocada, e o prato de carne continuava intacto. Com tantos pratos cercando a mesa, minha avó olhou aquilo tudo e soltou: "com tanta comida assim, não vamos dar conta."
Moyashi precisa ferver bem — sem pressa

Despejamos o moyashi que trouxemos do buffet em cima da panela. Os brotos formaram uma montanha sobre o caldo, enquanto lá embaixo os camarões, o tofu frito e os cogumelos continuavam borbulhando. Moyashi não pode ser retirado logo depois de colocar na panela. Se estiver mal cozido, fica com gosto amargo e cheiro desagradável — o sabor desanda completamente. Tem que tampar a panela e deixar ferver uns 5 minutos, até murchar de vez. Quando o moyashi fica translúcido e murchinho, aí sim: ao pescar e morder, ele está crocante por fora mas totalmente impregnado do sabor do caldo — nada a ver com broto de feijão comum.
Carne bovina e frutos do mar — o momento em que o caldo se transforma


Quando o moyashi já estava bem cozido, colocamos a carne bovina sobre o caldo. As fatias finas, abertas sobre o moyashi e o repolho, ficaram ali com aquele rosa vibrante — embaixo, o branco do moyashi, o amarelo do repolho, o verde das folhosas, o laranja dos bolinhos de camarão. A panela inteira virou uma paleta de cores. Mas a carne não espera: bastam uns 10 segundos e ela já começa a mudar de cor. O rosa vivo vai ficando acinzentado pelas bordas, enrolando de leve, e é nessa hora que você tem que pescar. Perdeu o timing, a carne fica seca e dura.
Frutos do mar no caldo — o sabor sobe de nível

Agora foi a vez dos frutos do mar. Colocamos o cogumelo branco orelha-de-pau junto com os camarões — o cogumelo se abriu translúcido na superfície do caldo, parecendo uma flor desabrochando. Do lado, os camarões entraram inteiros com cabeça e tudo, e o moyashi e os bolinhos de camarão continuavam borbulhando junto. Depois que os frutos do mar entraram, o caldo do shabu-shabu mudou completamente. Antes, com só legumes e carne, era um caldo limpo e suave. Mas quando o umami da cabeça do camarão se dissolveu no líquido, o sabor subiu um degrau inteiro. Minha avó provou mais uma colherada e disse: "ficou mais refrescante que antes" — e de fato, o caldo antes e depois dos frutos do mar era outro completamente diferente. Com só carne, o sabor é delicado; com só frutos do mar, é leve. Mas os dois juntos fazem o caldo ganhar camadas e camadas de sabor.
Enrolado no papel de arroz e mergulhado no molho



Pescamos a carne e o bok choy, colocamos no prato e começamos a comer pra valer. Aqui é onde a combinação com o papel de arroz fica divertida. Você umedece o papel de arroz na água até ficar maleável, coloca a carne cozida e os legumes por cima e enrola — dá pra ver a carne transparecendo pela folha translúcida. Aí você mergulha no molho do shabu-shabu e morde: a textura elástica do papel de arroz, a maciez da carne, o toque agridoce e picante do molho — tudo de uma vez. Minha avó estava comendo sem molho, aí sugeri que experimentasse com. Depois disso, não largou mais o molho.
Os 3 molhos do shabu-shabu — escolha ao seu gosto

Os molhos vieram em um recipiente dividido em três partes. Da esquerda pra direita: chojang (molho agridoce de pimenta), um molho à base de doenjang (pasta de soja fermentada coreana) e shoyu com alho picado — os três já vêm na mesa como parte do serviço padrão, e você escolhe qual usar. No meu caso, carne bovina ia melhor com o shoyu com alho, enquanto frutos do mar e legumes combinavam mais com o chojang. O alho no shoyu dava uma camada extra de aroma que elevava demais o sabor da carne.
Os 3 molhos do shabu-shabu
🔴 Chojang (molho agridoce de pimenta)
Sabor agridoce e levemente picante. Fica ótimo com frutos do mar e legumes — limpa o paladar sem pesar
🟡 Molho de doenjang (pasta de soja)
Sabor rico e tostado. Combina especialmente bem com os rolinhos de papel de arroz
🟤 Shoyu com alho
Molho de soja com alho picado. Quando usado com a carne bovina, o aroma sobe de nível instantaneamente
Arroz frito no caldo — a finalização do shabu-shabu

Num canto do buffet, ficam os ingredientes do arroz frito do shabu-shabu. Em cada tigelinha, o arroz já vem com nori picado (alga), conserva de rabanete amarelo, legumes e uma gema de ovo por cima — tudo porcionado individualmente. Quando você termina o shabu-shabu, despeja isso na panela com o caldo restante e refoga: pronto, nasce o arroz frito de encerramento.

Trouxemos os kits de arroz frito pra mesa. Na tigelinha, o arroz já vinha misturado com legumes picadinhos — cenoura, pimentão — e por cima: nori, um pedaço de abóbora cabotiá e um ovo inteiro, tudo coberto com filme plástico. Basta crackear o ovo no caldo restante, juntar o arroz e refogar.
Arroz frito pronto — feito tipo papa pra vovó


Depois de comer tudo, escorremos a maior parte do caldo da panela e começamos a refogar o arroz. Misturamos o arroz, o ovo, a abóbora e o nori, e os pedacinhos de carne e legumes que tinham ficado grudados no fundo da panela foram se incorporando entre os grãos — sem precisar de tempero extra, o sabor já estava perfeito. Pessoalmente, eu prefiro arroz frito mais sequinho, com cada grão soltinho e firme. Mas como era pra minha avó comer, deixei um pouco mais de caldo e mexi por mais tempo. Quanto mais caldo restante você deixar, mais cremoso e tipo papa fica; quanto menos, mais sequinho e tipo arroz frito de verdade — e a gente fez ali um meio-termo pensando nela. A abóbora foi se desmanchando e dando uma cor dourada ao arroz inteiro. Minha avó provou uma colherada e disse baixinho: "isso aqui é leve pro estômago", e foi comendo devagar. Ouvir isso fez valer a pena ter aberto mão da textura que eu gosto.
Shabu-shabu coreano — minha opinião sincera
Shabu-shabu de frutos do mar e carne bovina com buffet livre e arroz frito no caldo pra fechar — quando acabou, eu estava genuinamente prestes a explodir. Sendo bem sincero, R$105 por pessoa é um preço de shabu-shabu que pesa no bolso, sim. Mas quando você leva em conta que o macarrão e os legumes são à vontade no buffet e que ainda dá pra fazer o arroz frito no final, a sensação de "foi caro" desaparece.
Pontos negativos existiram. Parte dos legumes do buffet, principalmente o moyashi, estava meio murcho. A quantidade das sobremesas era pequena e quem chegava tarde encontrava só tigela vazia. Ainda assim, não é aquela loucura de buffet onde todo mundo sai correndo pra se servir, nem a formalidade de um jantar a la carte. É uma panela no meio da mesa, todo mundo sentado em volta, um fala "coloca isso aqui", outro fala "pesca aquilo ali" — pra clima de reunião de família, é difícil encontrar um prato de comida coreana que funcione tão bem quanto esse.
Na saída, minha avó disse: "comi muito bem hoje, vamos voltar da próxima vez." Sinceramente, essa frase sozinha já valeu tudo. Fiquei com pena de minha esposa não ter vindo, mas falei que da próxima vez ela vem junto com certeza. Minha avó riu e respondeu: "isso, da próxima traz a nora também."
Resumo da refeição
| Data da visita | 5 de maio de 2026 (Dia das Crianças na Coreia), almoço |
| Restaurante | Shabu Mania (Seocheongju, Cheongju — cidade a ~130 km ao sul de Seul) |
| Pedido | Shabu-shabu de frutos do mar e carne bovina (₩27.000/pessoa ≈ R$105) |
| Caldo | Caldo claro (opção de caldo apimentado também disponível) |
| Buffet livre | Macarrão, legumes, bolinho de peixe, guioza, tteokbokki, sobremesas — refil ilimitado |
| Duração | Aproximadamente 1 hora e 30 minutos |
| Estacionamento | Subsolo do prédio |
| Reserva | Aceita sem reserva (pode ter fila no horário de almoço) |
A maioria dos restaurantes de shabu-shabu coreano aceita clientes sem reserva e costuma ter estacionamento no subsolo ou nas proximidades, o que facilita bastante pra quem vai em família. Foi uma das melhores refeições que tive em muito tempo.