
Arroz com cevada: 18 acompanhamentos coreanos
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16 itens
Eu queria oferecer uma mesa de verdade para a minha esposa, que sempre se esforça tanto
Eu queria pagar uma refeição caprichada para a minha esposa, que rala todos os dias. Tinha um restaurante de boribap que eu vi por acaso num Shorts do YouTube, e na hora em que vi aquele vídeo com a mesa cheia de acompanhamentos de ponta a ponta, resolvi ir. Como minha esposa não gosta muito de saídas caras para comer, eu vinha adiando fazia tempo, mas dessa vez simplesmente paguei tudo. Em abril de 2026, fui com a minha esposa estrangeira ao 1972 Song Eunjeong Boribap Bonjeom, em Jochiwon, na cidade de Sejong.

Chegamos no começo da noite, e o tamanho do prédio foi bem maior do que eu esperava. Eu estava pensando num restaurante de boribap de bairro, então tomei um pequeno susto quando vi a dimensão do lugar. Na fachada havia uma foto grande do boribap, e a iluminação também parecia bem pensada, então, para um restaurante de arroz com cevada, a aparência era surpreendentemente moderna. Só que o estacionamento não é tão folgado em relação ao tamanho do prédio, então, se você for no pico do jantar, talvez precise dar umas voltas para conseguir vaga.
Mesa grande, e depois eu entendi o motivo

Quando entramos e sentamos, a mesa era bem ampla. Era uma mesa para quatro pessoas, mas como estávamos em dois, sobrava espaço. Só depois que os acompanhamentos começaram a chegar eu entendi por que precisava de tanta largura. De um lado já havia um tablet para pedidos, e também estavam preparados o óleo de gergelim e o óleo de perilla.
Pedido por tablet — prático, mas sem tradução de verdade

O pedido é feito pelo tablet que fica em cada mesa. Com alguns toques você resolve tudo, mas o problema é que, apesar de existir a opção em inglês no menu, a tradução de fato não está pronta. Se você não souber coreano, pedir fica difícil. Então organizei abaixo a tradução do menu.
1972 Song Eunjeong Boribap Bonjeom · Menu
Cardápio · Refeições · Opções
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R$ 132
Mesa completa Song Eunjeong (1 pessoa)
Menu completo / Refeição completa / Mesa completa
Pedido mínimo de 2 pessoas · Mín. 2 pessoas
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R$ 60
Boribap com doenjang (1 pessoa)
Ensopado de pasta de soja + arroz com cevada / Menu de doenjang / Boribap com sopa
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R$ 60
Boribap com cheonggukjang (1 pessoa)
Ensopado de cheonggukjang + arroz com cevada / Menu fermentado / Boribap com sopa
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R$ 12
Infantil (3 a 7 anos)
Refeição infantil / Menu infantil / Prato infantil
Menu extra · Adicionais
- Cavalinha grelhada / Peixe grelhado / Cavalinha assada / Peixe inteiroR$ 40
- Porco picante salteado / Porco apimentado / Carne de porco salteada / Porco coreanoR$ 24
- Bulgogi de boi / Carne marinada / Carne bovina coreana / BulgogiR$ 36
Na mesa coreana de boribap, um prato de arroz vem assim, cheio de acompanhamentos
Na Coreia, comer arroz não significa comer só uma tigela de arroz e pronto. A cultura coreana dos banchan gira em torno do arroz no centro, com namul, ensopados, grelhados, cozidos em molho e conservas espalhados pela mesa inteira, e esse é justamente o coração de uma refeição completa coreana. O boribap é um arroz feito com arroz branco misturado com cevada, então ele tem uma textura mais rústica e firme do que o arroz branco comum. Na Coreia, é um arroz de grãos considerado saudável e consumido há muito tempo. Em restaurantes especializados em boribap, o normal é colocar um monte de namul por cima e misturar tudo, então é inevitável que a quantidade de acompanhamentos seja grande. Como moro na Coreia, já publiquei no meu blog algumas resenhas de refeições caseiras na faixa de R$ 32 a R$ 40, e essa mesa de boribap pareceu a versão premium em modo completo desse tipo de refeição.

Eu fiz o pedido no tablet e, antes de completar 30 segundos, os acompanhamentos já tinham chegado. Vieram todos de uma vez em duas bandejas de latão bem cheias, e minha esposa mal tinha conseguido abaixar o celular. Essa velocidade realmente me surpreendeu.

Quando abrimos tudo e espalhamos na mesa, ela encheu num instante. Foi por isso que eu disse antes que a mesa era grande. Minha esposa olhou aquela montagem toda e ficou emocionada, dizendo "isso tudo é nosso?". Era a primeira vez que ela via de perto um restaurante coreano servindo acompanhamentos de forma tão caprichada, então ficou de olhos arregalados.
Duas bandejas de latão — os banchan de um lado, os namul do outro

Essa bandeja era a dos acompanhamentos mais clássicos. Havia ovos de codorna cozidos no molho de soja, salada de raiz de lótus, muchim de rabanete, peixe seco temperado, castanhas caramelizadas e salada de macarrão, cada um servido separadamente em tigelinhas de latão. Eram acompanhamentos mais puxados para o salgado e o adocicado, então cumpriam bem o papel de abrir o apetite. O kimchi de yeolmu também vinha nessa mesma bandeja.

A outra bandeja era a dos namul. Tinha broto de feijão, gosari, berinjela seca, gondre-namul, abobrinha e cogumelo ostra, tudo arrumado com bastante cuidado. Esses eram os ingredientes para misturar no boribap. Como os banchan e os namul vinham separados em bandejas diferentes, tudo ficava mais organizado, e também era divertido escolher no que mexer primeiro.
Um por um, os acompanhamentos que mais me marcaram
Esse lugar é famoso por servir bem os acompanhamentos, e, ao vivo, a variedade realmente era grande e o sabor de cada um estava muito bem resolvido. Se eu fosse explicar todos em detalhes, o texto não acabaria nunca, então vou focar nos que mais me impressionaram.

Gosari-namul. Na Coreia, a samambaia seca é hidratada e depois salteada no molho de soja, e esse acompanhamento quase nunca falta em restaurantes de boribap. Na primeira mordida ele parece meio firme, mas, depois de mastigar duas ou três vezes, vai ficando macio. Nesse processo, o sabor salgado e aromático do molho de soja com o óleo de gergelim vai aparecendo. Eu gostei tanto que fui buscar mais um prato inteiro no self-service.

Namul de berinjela seca. Não era berinjela fresca, e sim berinjela seca, reidratada e depois salteada com tempero. A textura é completamente diferente da berinjela comum. Ela fica elástica, quase com uma mordida de carne, e como o molho de soja penetra bem, quando você mistura no arroz ela marca presença de verdade.

Cogumelo ostra salteado. Ele vinha desfiado bem fino e salteado no óleo de gergelim, mas sem ficar escorregadio, e sim macio com leve elasticidade. O tempero era delicado, então, quando você comia junto com os outros acompanhamentos, ele ajudava a equilibrar o conjunto inteiro.
Os outros namul, rapidinho

Siregi-namul. Ele foi salteado com os talos, tinha um aroma de vegetal bem marcante e o óleo de gergelim aparecia bastante.

Talo de taro temperado. O talo tem microcamadas de ar por dentro, então a textura fica curiosamente macia, quase como uma esponja. O tempero entra nesses espaços, então, quando você morde, o sabor se espalha de forma úmida e suave.

Broto de feijão temperado. Ele quase não tinha sal, então, mais do que para comer sozinho, era um namul que fazia seu papel quando misturado no boribap.

Abobrinha salteada. Ela foi cozida só de leve para manter a crocância, e ficou limpa no sabor, sem excesso de óleo.

Gondre-namul ou chwinamul. Não sei exatamente qual dos dois era, mas o amargor suave junto com o óleo de perilla combinava muito bem com o boribap.
Além dos namul, também havia esses acompanhamentos

Japchae. Era feito com macarrão de batata-doce salteado no molho de soja, misturado com legumes e finalizado com gergelim, e minha esposa gostou tanto dele que foi ao self-service buscar mais duas vezes. Ela praticamente se apaixonou pela textura elástica e pelo sabor levemente adocicado.

Castanhas caramelizadas. Amêndoas, amendoim e sementes de abóbora cozidos em xarope de arroz, resultando num acompanhamento doce, quase de lanche. Depois de comer vários namul, pegar um pedacinho disso muda totalmente a sensação na boca.

Jeon de abobrinha. São fatias finas de abobrinha passadas no ovo e fritas na frigideira, então ficam crocantes por fora e úmidas por dentro.

Parecia ser hwangtae-muchim. Era um acompanhamento com molho de gochujang, adocicado e salgado ao mesmo tempo, e eu acabei pegando várias vezes para comer junto com o arroz.

Salada de macarrão. No meio de tantos acompanhamentos de legumes, aparecer algo assim muda o clima da refeição de um jeito até divertido. Se tivesse criança na mesa, acho que seria a primeira coisa que ela pegaria.

Kimchi de yeolmu. Ele é feito com rabanete jovem temperado, tem um pouco de líquido e passa uma sensação refrescante. Quando você mistura no boribap, o picante fica muito mais vivo.

Ovos de codorna cozidos no molho de soja. Eles são salgadinhos, levemente adocicados e em tamanho de uma mordida, então, no meio de tantos legumes, era gostoso ter algo com mais proteína. Acabei voltando neles várias vezes.

Salada de raiz de lótus. A raiz de lótus vinha envolvida num molho de gergelim, então a crocância e o molho cremoso davam uma camada diferente em relação aos namul. E visualmente também é um acompanhamento curioso, por causa dos furinhos na seção transversal.

Muchim de rabanete. É feito com rabanete cortado bem fino e temperado com pimenta em pó coreana, então fica crocante, picante e refrescante ao mesmo tempo, limpando bem a boca. Quando entra na mistura do boribap, ele levanta o sabor do prato inteiro.
No geral, os acompanhamentos não eram agressivos no sabor. Eles não estavam nem salgados demais, nem sem graça demais, estavam bem no meio do caminho. Sendo sincero, quem gosta de sabores muito fortes pode achar tudo um pouco suave, mas pensando numa refeição mais saudável, eu achei até melhor assim. Nem tudo precisa ser super salgado para ser gostoso.
Agora sim, o prato principal — boribap e ensopado de cheonggukjang

Depois de uns 10 minutos beliscando acompanhamentos aqui e ali, o principal chegou. O boribap veio servido numa tigela de latão, e ao lado vinha o cheonggukjang borbulhando na panela de pedra. Quando isso entrou na mesa, foi aí que a refeição pareceu realmente completa. O que nós pedimos foi o menu de boribap com cheonggukjang, então vou explicar rapidinho o que é isso.
🫘 O que é cheonggukjang?
O cheonggukjang é um alimento tradicional coreano fermentado, feito com soja cozida e fermentada por 2 a 3 dias com palha ou bacilos naturais. Embora o doenjang também seja um fermentado de soja, ele amadurece por meses ou até anos, enquanto o cheonggukjang passa por uma fermentação curta, mantendo os grãos mais inteiros e com um aroma muito mais forte.
Por causa desse cheiro forte de fermentação, ele é um alimento que realmente divide opiniões na Coreia. Quem gosta chega ao ponto de despejar o ensopado no arroz e comer assim, enquanto quem não gosta às vezes se afasta só pelo cheiro.
O menu de boribap com cheonggukjang é justamente essa combinação: o cheonggukjang servido como ensopado junto com o arroz com cevada. Ele vem fervendo na panela de pedra com tofu, abobrinha, pimenta e outros ingredientes, e, quando você joga no arroz ainda bem quente, o sabor fica encorpado e viciante.
💡 Se você for sensível a cheiros fortes, vale mais a pena pedir o menu de boribap com doenjang, que custa o mesmo. O doenjang também é um fermentado de soja, mas o aroma é bem mais suave.

Isso aqui é o cheonggukjang. Quando ele começa a ferver na panela de pedra, sobe aquele cheiro de soja fermentada, e eu sou do tipo que gosta bastante disso.

No caldo havia grãos de soja, tofu, abobrinha e pimenta. O cheonggukjang desse restaurante tinha um aroma mais suave, então não era daquele tipo que agride o nariz. Minha esposa raspou até o caldo, e eu acabei misturando mais da metade do meu arroz nele.
Self-service — reposição à vontade, sem constrangimento

Essa é a área de self-service. Se os acompanhamentos da mesa acabarem, você pode simplesmente levantar e se servir, sem precisar pedir nada para os funcionários. É só pegar um prato e colocar o quanto quiser. Eu gostei porque dá para repetir de forma bem tranquila, sem aquela sensação de estar incomodando.

No canto final do self-service havia um aquecedor grande cheio de japchae e também uma panela elétrica de arroz. Se o arroz acabar, você pode se servir ali, e eu realmente peguei mais uma tigela. Sinceramente, o arroz dessa panela estava um pouco mais empapado do que o arroz servido no começo. Dava para comer sem problema, mas havia diferença em relação ao arroz recém-servido. Ah, e havia um aviso dizendo "se sobrar comida, será cobrada taxa ambiental de 3.000 won", então pegue só o que você realmente vai comer.
Cavalinha grelhada à parte — um peixe por R$ 40

Só com os acompanhamentos já havia comida suficiente, mas senti que faltava alguma coisa e pedi uma cavalinha grelhada. Cavalinha é um peixe muito comum na comida caseira coreana, mas servida assim, inteira na grelha, é algo que você vê mais em restaurante. A pele estava bem crocante e a carne por dentro ficou úmida, tanto que saía fácil com um leve toque dos hashis. O sabor não era salgado demais; o destaque era o gosto natural e amanteigado do próprio peixe.
A mesa completa — nós dois comemos por R$ 160

Esse foi o visual final da mesa que nós dois comemos ontem. Boribap, cheonggukjang, cavalinha grelhada, mais de dez acompanhamentos, japchae e jeon de abobrinha. Comparando com as refeições caseiras de R$ 32 a R$ 40 que eu já tinha mostrado no meu blog, parecia a mesma categoria, mas em outro nível. Foram R$ 120 em dois menus de boribap com cheonggukjang, mais R$ 40 da cavalinha grelhada, então o total ficou em R$ 160. Sinceramente, não é um preço barato. Mas, vendo essa mesa ao vivo, dá para entender. Pensando na quantidade de acompanhamentos, no self-service sem limite e na cavalinha incluída, foi uma refeição que me pareceu bem satisfatória.
Misturando o boribap — é assim que se come

Isso aqui é o boribap. Dá para ver bem os grãos de cevada misturados entre o arroz branco. Ele tem uma textura mais firme e granulada do que o arroz branco comum, e minha esposa disse que achou essa sensação diferente, mas muito boa. Ela normalmente prefere arroz mais pegajoso, mas disse que isso tinha um charme próprio. Comentou inclusive que o boribap coreano era delicioso e que nunca tinha experimentado uma textura assim antes.

Quando você coloca por cima do boribap os namul, o muchim de rabanete, a berinjela seca e outros acompanhamentos, e depois mistura tudo com gochujang e óleo de gergelim, aquilo vira uma tigela de bibimbap. Em restaurantes coreanos de boribap, esse é o jeito clássico de comer. Você até pode pegar cada coisa separadamente, mas, quando mistura, as diferentes texturas dos namul entram todas na mesma colherada. Tem crocância, elasticidade e picância ao mesmo tempo, então cada garfada muda um pouco. O ponto-chave é colocar uma quantidade generosa de óleo de perilla, porque isso deixa tudo mais macio e destaca o sabor tostado.
Um pedaço de cavalinha, um pouco de namul

Eu peguei um pedaço da cavalinha com os hashis. Dava para ver claramente a pele tostadinha e crocante, enquanto o interior continuava úmido. Quando você alterna isso com uma colherada do boribap misturado, o sabor tostado dos namul vem primeiro, e depois a gordura saborosa do peixe preenche a boca toda.

Quando você levanta o namul com os hashis, o óleo de perilla fica brilhando bonito. O sabor muda bastante entre comer direto do prato e colocar em cima do arroz. Minha esposa disse que a melhor combinação era gosari com gondre, e eu achei que algo mais picante, como o muchim de rabanete, combinava demais com o boribap. Essa é justamente a graça da mistura: você monta do jeito que combina mais com o seu paladar.
Uma visão sincera sobre a mesa coreana de boribap
Na Coreia, uma mesa de boribap não é só mais uma refeição. Cada acompanhamento tem seu papel, e, dependendo de como você mistura tudo no arroz, o sabor muda completamente. O que eu senti comendo isso com a minha esposa estrangeira foi que essa cultura coreana de montar a mesa impressiona muito quando você vê de fora. Você pede apenas um prato de arroz, e de repente aparecem mais de dez acompanhamentos, depois você ainda pode repetir, e por fim mistura tudo do seu próprio jeito para completar a refeição. Minha esposa disse que o boribap coreano estava realmente delicioso, principalmente por causa dessa textura tão diferente, e eu também acho que é um estilo de refeição difícil de encontrar fora da Coreia.
O preço fica na faixa de R$ 80 por pessoa, então não dá para chamar de barato, mas, para essa composição, o custo-benefício me pareceu bem justo. Se eu tivesse que apontar os lados menos fortes, seriam estes: quem espera sabores intensos pode achar tudo suave demais, o estacionamento é um pouco apertado para o tamanho do restaurante e o arroz de reposição do self-service é mais empapado do que o arroz recém-servido. Mesmo assim, se você quiser oferecer uma mesa caprichada para alguém que batalha todos os dias, eu achei que essa refeição valeu, sim, o que custou.
1972 Song Eunjeong Boribap Bonjeom
Song Eunjeong Boribap · Jochiwon, Sejong
- 📍 1º andar, 2427 Sejong-ro, Jochiwon-eup, Cidade Autônoma Especial de Sejong
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🕐
Todos os dias 08:30 – 20:30 (último pedido às 20:00)
Intervalo 15:00 – 17:00 - 📞 0507-1343-0929
- 🅿️ Tem estacionamento próprio (um pouco apertado para o porte do lugar)
- 💰 Base para 2 pessoas: R$ 160 (boribap com cheonggukjang ×2 + cavalinha grelhada ×1)
- 📌 Reserva disponível pelo Naver · no evento de avaliação com fotos, dão 2 ovos fritos no óleo de gergelim